Em alvoroço estou.
Minh'alma esgrima desejos
que irrompem lestos,
mostrando não terem socumbido,
nem ao tempo,
nem aos inúmeros contratempos
que a vida, madrasta, me lançou.
Quisera, em inóspita paragem,
desenfrear as rédeas
sem sobressaltos,
demonstrar este sentir ardente,
de quem, presumo, valente,
jamais deixou de te amar,
apesar do que por ti penou...
terça-feira, 30 de setembro de 2008
OS CINCO SENTIDOS
Em toda a natureza
Não vejo outra beleza
Senão a ti - a ti
Não oiço a melodia
Nem sinto outra harmonia
Senão a ti
Minha alma não aspira
Senão ao doce aroma
Que vem de ti - de ti
Fanintos meus desejos
Estão... mas é de beijos
E só de ti - de ti
Quem poderia
Sentir outras carícias
Tocar outras delícias
Senão em ti - em ti
A ti! ai, a ti só meus sentidos,
Todos num confundidos
Sentem, ouvem, respiram,
Em ti, por ti deliram.
Em ti a minha sorte
E, quando venha a morte,
Será morrer por ti.
(Almeida Garrett)
MOMENTO DE NOSTALGIA
O ritmo do teu corpo
Fala-me
Segreda.me palavras doces
Primeiro lento
Natural
Depois rápido
Sôfrego
Musical
E o teu ar sereno
Torna-me feliz por te poder olhar
O teu corpo canta-me
Canções de amor dolentes
E o teu coração abre-se
Como uma flor
E reparte-se
E transforma o Mundo
E o teu ar sereno e meigo
Torna-me feliz por te poder amar
Tu és um hino à Natureza
O doce brilho das estrelas
E o teu sorriso
É só o teu sorriso
Mais tudo
Fala-me
Segreda.me palavras doces
Primeiro lento
Natural
Depois rápido
Sôfrego
Musical
E o teu ar sereno
Torna-me feliz por te poder olhar
O teu corpo canta-me
Canções de amor dolentes
E o teu coração abre-se
Como uma flor
E reparte-se
E transforma o Mundo
E o teu ar sereno e meigo
Torna-me feliz por te poder amar
Tu és um hino à Natureza
O doce brilho das estrelas
E o teu sorriso
É só o teu sorriso
Mais tudo
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
ABELHA BRANCA ZUMBES...
Abelha branca zumbes, ébria de mel, na minha alma
e enrolas-te em lentas espirais de fumo.
Eu sou o desesperado, a palavra sem ecos,
aquele que perdeu tudo, e teve um dia tudo.
Última amarra, range em ti a minha ansiedade última.
na minha terra deserta és a última rosa.
Ah silenciosa!
Fecha os teus olhos profundos. Ali esvoaça a noite.
Ah desnuda o teu corpo de estátua temerosa.
Tens uns olhos profundos onde a noite adeja.
Frescos braços de flor e regaço de rosa.
Parecem-se os teus seios com caracóis brancos.
Veio dormir no teu ventre uma borboleta sombra.
Ah silenciosa!
É esta a solidão de que tu estás ausente.
Chove. O vento do mar caça errantes gaivotas.
A água anda descalça pelas ruas molhadas.
Daquela árvore se queixam, como doentes, as folhas.
Abelha branca, ausente, ainda zumbes na minha alma.
Tu revives no tempo, fina e silenciosa.
Ah silenciosa!
Pablo Neruda - Vinte Poemas de Amor e Uma Canção Desesperada
e enrolas-te em lentas espirais de fumo.
Eu sou o desesperado, a palavra sem ecos,
aquele que perdeu tudo, e teve um dia tudo.
Última amarra, range em ti a minha ansiedade última.
na minha terra deserta és a última rosa.
Ah silenciosa!
Fecha os teus olhos profundos. Ali esvoaça a noite.
Ah desnuda o teu corpo de estátua temerosa.
Tens uns olhos profundos onde a noite adeja.
Frescos braços de flor e regaço de rosa.
Parecem-se os teus seios com caracóis brancos.
Veio dormir no teu ventre uma borboleta sombra.
Ah silenciosa!
É esta a solidão de que tu estás ausente.
Chove. O vento do mar caça errantes gaivotas.
A água anda descalça pelas ruas molhadas.
Daquela árvore se queixam, como doentes, as folhas.
Abelha branca, ausente, ainda zumbes na minha alma.
Tu revives no tempo, fina e silenciosa.
Ah silenciosa!
Pablo Neruda - Vinte Poemas de Amor e Uma Canção Desesperada
SONETO DE CONTRIÇÃO
Eu te amo, Maria, eu te amo tanto
Que o meu peito me dói como em doença
E quanto mais me seja a dor intensa
Mais cresce na minha alma teu encanto.
Como criança que vagueia o canto
Ante o mistério da amplidão suspensa
Meu coração é um vago de acalanto
Berçando versos de saudade imensa.
Não é maior o coração que a alma
Nem melhor a presença que a saudade
Só te amar é divino, e sentir calma...
E é uma calma tão feita de humildade
Que tão mais te soubesse pertencida
Menos seria eterno em tua vida.
Vinicius de Moraes - Obras Completas
Que o meu peito me dói como em doença
E quanto mais me seja a dor intensa
Mais cresce na minha alma teu encanto.
Como criança que vagueia o canto
Ante o mistério da amplidão suspensa
Meu coração é um vago de acalanto
Berçando versos de saudade imensa.
Não é maior o coração que a alma
Nem melhor a presença que a saudade
Só te amar é divino, e sentir calma...
E é uma calma tão feita de humildade
Que tão mais te soubesse pertencida
Menos seria eterno em tua vida.
Vinicius de Moraes - Obras Completas
sábado, 27 de setembro de 2008
Teus olhos
"Olhos do meu Amor! Infantes loiros
Que trazem os meus presos, endoidados!
Neles deixei, um dia, os meus tesoiros:
Meus anéis, minhas rendas, meus brocados.
Neles ficaram meus palácios moiros,
Meus carros de combate, destroçados,
Os meus diamantes, todos os meus oiros
Que trouxe d'Além-Mundos ignorados!
Olhos do meu Amor! Fontes... cisternas...
Enigmáticas campas medievais...
Jardins de Espanha... catedrais eternas...
Berço vindo do Céu à minha porta...
Ó meu leito de núpcias irreais!...
Meu sumptuoso túmulo de morta!..."
Florbela Espanca
Que trazem os meus presos, endoidados!
Neles deixei, um dia, os meus tesoiros:
Meus anéis, minhas rendas, meus brocados.
Neles ficaram meus palácios moiros,
Meus carros de combate, destroçados,
Os meus diamantes, todos os meus oiros
Que trouxe d'Além-Mundos ignorados!
Olhos do meu Amor! Fontes... cisternas...
Enigmáticas campas medievais...
Jardins de Espanha... catedrais eternas...
Berço vindo do Céu à minha porta...
Ó meu leito de núpcias irreais!...
Meu sumptuoso túmulo de morta!..."
Florbela Espanca
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
Dar tempo ao tempo...
Dar tempo ao tempo, mostra que o que nos sucede nem sempre tem a "conotação" que lhe atribuímos. É importante saber que a relatividade do tempo nos permite pensar desligados dos acontecimentos e admitir que a vida segue o seu percurso, num passo adequado ao nosso próprio crescimento.Os acontecimentos no tempo mais não são do que fragmentos de vida. Esta, vai-se-nos dando por fragmentos que se encaixam no presente... Quem sabe o que acontecerá daqui a pouco? Temos por obrigação, agora mais crescidos, de saber que quando se fecha uma porta, uma outra se abre ou, quando um caminho acaba, um outro começa trazendo oportunidades impensáveis, indefinidas e infinitas...
Temos de dar tempo ao tempo na busca de um equilíbrio maior...
Dar tempo ao tempo é a minha aposta, a minha convicção. É minha determinação, minha expectativa... É meu assombro e meu perdão...
Temos de dar tempo ao tempo na busca de um equilíbrio maior...
Dar tempo ao tempo é a minha aposta, a minha convicção. É minha determinação, minha expectativa... É meu assombro e meu perdão...
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
Nunca Nos Separamos do Primeiro Amor
"(...) o que conta não é a manifestação do desejo, da tentativa amorosa. O que conta é o inferno da história única. Nada a substitui, nem uma segunda história. Nem a mentira. Nada. Quanto mais a provocamos, mais ela foge. Amar é amar alguém. Não há um múltiplo da vida que possa ser vivido. Todas as primeiras histórias de amor se quebram e depois é essa história que transportamos para as outras histórias. Quando se viveu um amor com alguém, fica-se marcado para sempre e depois transporta-se essa história de pessoa a pessoa. Nunca nos separamos dele.
Não podemos evitar a unicidade, a fidelidade, como se fôssemos, só nós, o nosso próprio cosmo. Amar toda a gente, como proclamam algumas pessoas e os cristãos, é embuste. Essas coisas não passam de mentiras. Só se ama uma pessoa de cada vez. Nunca duas ao mesmo tempo."
Marguerite Duras, in 'Mundo Exterior '
Não podemos evitar a unicidade, a fidelidade, como se fôssemos, só nós, o nosso próprio cosmo. Amar toda a gente, como proclamam algumas pessoas e os cristãos, é embuste. Essas coisas não passam de mentiras. Só se ama uma pessoa de cada vez. Nunca duas ao mesmo tempo."
Marguerite Duras, in 'Mundo Exterior '
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
CONCERTO PARA TI
"Hoje dir-te ei apenas
Mais uma palavra gasta
pelo tempo: Amo-te
E poderia dizer-te tanto!
Poderia falar desta sede
Com que mergulho a boca
Na tua pele diluída
Desta dor violenta, seca
Que me incha as veias
De pequenas lâminas de febre
Poderia dizer
Como as minhas mãos
Procuram a fúria das tuas
Deslizam pelo teu corpo
Como o sangue alvoraçado
Acompanha o ritmo dos teus dedos
Poderia dizer-te tudo
Mas não digo
Dir-te-ei apenas
Que és tu quem enche o silêncio
De que é feito
Cada segundo de mim"
ROUXINOL
Mais uma palavra gasta
pelo tempo: Amo-te
E poderia dizer-te tanto!
Poderia falar desta sede
Com que mergulho a boca
Na tua pele diluída
Desta dor violenta, seca
Que me incha as veias
De pequenas lâminas de febre
Poderia dizer
Como as minhas mãos
Procuram a fúria das tuas
Deslizam pelo teu corpo
Como o sangue alvoraçado
Acompanha o ritmo dos teus dedos
Poderia dizer-te tudo
Mas não digo
Dir-te-ei apenas
Que és tu quem enche o silêncio
De que é feito
Cada segundo de mim"
ROUXINOL
ESTE INFERNO DE AMAR
"Este inferno de amar - como eu amo! -
Quem mo pôs aqui n'alma...quem foi?
Esta chama que alenta e consome,
Que é a vida - e que a vida destrói -
Como é que se veio a atear,
Quando - ai quando se há-de ela apagar?
Eu não sei, não me lembra: o passado,
A outra vida que dantes vivi
Era um sonho talvez... - foi um sonho -
Em que paz tão serena a dormi!
Oh! que doce era aquele sonhar...
Quem me veio, ai de mim!, despertar?
Só me lembra que um dia formoso
Eu passei...dava o Sol tanta luz!
E os meus olhos, que vagos giravam,
Em seus olhos ardentes os pus.
Que fez ela? eu que fiz? - Não no sei;
Mas nessa hora a viver comecei..."
"Folhas Caídas" - (Almeida Garrett)
Quem mo pôs aqui n'alma...quem foi?
Esta chama que alenta e consome,
Que é a vida - e que a vida destrói -
Como é que se veio a atear,
Quando - ai quando se há-de ela apagar?
Eu não sei, não me lembra: o passado,
A outra vida que dantes vivi
Era um sonho talvez... - foi um sonho -
Em que paz tão serena a dormi!
Oh! que doce era aquele sonhar...
Quem me veio, ai de mim!, despertar?
Só me lembra que um dia formoso
Eu passei...dava o Sol tanta luz!
E os meus olhos, que vagos giravam,
Em seus olhos ardentes os pus.
Que fez ela? eu que fiz? - Não no sei;
Mas nessa hora a viver comecei..."
"Folhas Caídas" - (Almeida Garrett)
Melodia de África
Quitanda de fruta verde,
dá-me um gomo de laranja
para matar esta sede.
Ou então será melhor
dar-me um veneno qualquer,
porque eu ando perturbado
e o meu sonho anda queimado
por uns olhos de mulher
.......................................
-Minha senhora, laranja
limão fresquinho, caju,
ananás ou abacate!
.......................................
E a quitandeira passou,
saudável, viva, graciosa,
com uma flor desfolhada
no seu sorriso escarlate.
E no ar um som de música ficou
e um perfume de fruta
que não matou minha sede...
Ó agridoce quitanda
da fruta verde
Quissanje (Tomaz V da Cruz)
sábado, 20 de setembro de 2008
O amor é o amor
"O amor é o amor - e depois?!
Vamos ficar os dois
a imaginar, a imaginar?..
O meu peito contra o teu peito,
cortando o mar, cortando o ar.
Num leito
há todo o espaço para amar!
Na nossa carne estamos
sem destino, sem medo, sem pudor,
e trocamos - somos um? somos dois? -
espírito e calor!
O amor é o amor - e depois?!"
Alexandre O´Neill Poesias Completas
1951/1981
Biblioteca de Autores Portugueses
Imprensa Nacional Casa da Moeda
Vamos ficar os dois
a imaginar, a imaginar?..
O meu peito contra o teu peito,
cortando o mar, cortando o ar.
Num leito
há todo o espaço para amar!
Na nossa carne estamos
sem destino, sem medo, sem pudor,
e trocamos - somos um? somos dois? -
espírito e calor!
O amor é o amor - e depois?!"
Alexandre O´Neill Poesias Completas
1951/1981
Biblioteca de Autores Portugueses
Imprensa Nacional Casa da Moeda
Vuelvo al Sur
The Gotan Project
Voltar atrás, ao antes, não é possível...
É o presente, o agora, que deve ser encarado.
E, esse tem as suas condicionantes,
os seus quês que não admitem nem porquês,
nem desejos contidos, amores sublimados,
emoçoes banidas do universo real
em que ambos nos encontramos.
Mesmo que a solidão interior seja um túmulo,
que o tumulto do coração seja brutal,
e o alarido do desejo, do amor, ensurdecedor,
teremos que zelar por nós próprios...
Violet
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
De mãos dadas...
Sonhei um dia ser tua,
Mas os ses não deixaram,
e os sentimentos mudaram,
não só porque o tempo passou
mas também porque a vida andou...
Ganhei outra dimensão,
casamento e atenção,
filhos tesouros, redenção
esquecendo a impressão,
então causada no coração
por ti, minha tão doce ilusão.
Hoje, reencontrando-nos,
quero apenas compreender,
para não mais padecer,
pelas voltas que então houve,
nos desacertos em que coube.
E, das então reais intenções,
tirando daí algumas lições,
para o resto da caminhada,
que havemos de fazer,
se possível de mão dada...
Mas os ses não deixaram,
e os sentimentos mudaram,
não só porque o tempo passou
mas também porque a vida andou...
Ganhei outra dimensão,
casamento e atenção,
filhos tesouros, redenção
esquecendo a impressão,
então causada no coração
por ti, minha tão doce ilusão.
Hoje, reencontrando-nos,
quero apenas compreender,
para não mais padecer,
pelas voltas que então houve,
nos desacertos em que coube.
E, das então reais intenções,
tirando daí algumas lições,
para o resto da caminhada,
que havemos de fazer,
se possível de mão dada...
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
Teus olhos
"Olhos do meu Amor! Infantes loiros
Que trazem os meus presos, endoidados!
Neles deixei, um dia, os meus tesoiros:
Meus anéis, minhas rendas, meus brocados.
Neles ficaram meus palácios moiros,
Meus carros de combate, destroçados,
Os meus diamantes, todos os meus oiros
Que trouxe d'Além-Mundos ignorados!
Olhos do meu Amor! Fontes... cisternas...
Enigmáticas campas medievais...
Jardins de Espanha... catedrais eternas...
Berço vindo do Céu à minha porta...
Ó meu leito de núpcias irreais!...
Meu sumptuoso túmulo de morta!..."
Florbela Espanca
Que trazem os meus presos, endoidados!
Neles deixei, um dia, os meus tesoiros:
Meus anéis, minhas rendas, meus brocados.
Neles ficaram meus palácios moiros,
Meus carros de combate, destroçados,
Os meus diamantes, todos os meus oiros
Que trouxe d'Além-Mundos ignorados!
Olhos do meu Amor! Fontes... cisternas...
Enigmáticas campas medievais...
Jardins de Espanha... catedrais eternas...
Berço vindo do Céu à minha porta...
Ó meu leito de núpcias irreais!...
Meu sumptuoso túmulo de morta!..."
Florbela Espanca
(Re) Encontrei-te
(Re)Encontrei-te, por acaso,
meus castanhos olhos,
de encantos mil,
de sonhos profundos
e memória pueril.
Foi impulso abrasador,
saudades d'um louco amor
mal vedado,
assustador de surpresas,
encantador.
Desejos guardados,
nos teus, meus olhos cansados
de solidão e nostalgia...
É a vida em agonia?...
meus castanhos olhos,
de encantos mil,
de sonhos profundos
e memória pueril.
Foi impulso abrasador,
saudades d'um louco amor
mal vedado,
assustador de surpresas,
encantador.
Desejos guardados,
nos teus, meus olhos cansados
de solidão e nostalgia...
É a vida em agonia?...
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