sábado, 11 de novembro de 2017
sexta-feira, 10 de novembro de 2017
quinta-feira, 27 de julho de 2017
Quem dera ser aconchego
Silêncios musicais
de infernais palavras
que não vão com o vento,
mas toldam meu pensamento...
Quisera ser gaivota,
ou borboleta ou até somente
inefável odor que se te pespegasse
num eterno e imenso abraço...
Quem dera ser o aconchego, sem medo,
dos teus passos lentos fugidios,
dos lassos e ternos desvarios...
Quem fosse inebriante fragrância
de mar e de lembrança a sal
perdida na tua lembrança...
de infernais palavras
que não vão com o vento,
mas toldam meu pensamento...
Quisera ser gaivota,
ou borboleta ou até somente
inefável odor que se te pespegasse
num eterno e imenso abraço...
Quem dera ser o aconchego, sem medo,
dos teus passos lentos fugidios,
dos lassos e ternos desvarios...
Quem fosse inebriante fragrância
de mar e de lembrança a sal
perdida na tua lembrança...
Na praia de Quicombo olhando o mar...
Na praia de Quicombo olhando o mar[1]...
Voltas que voltam e arremedam o ser
nos interstícios dos volteios que emanaram
da certeza do querer que se foi
envolto em indizíveis coincidências...
Quanto sofrer seria evitado
se na praia de Quicombo,
tivéssemos vislumbrado
para além das lágrimas do rosto humedecido,
da linda Ébo a olhar,
à espera do avô querido...
Mas não vismos mais do que o imediato,
não conseguimos transpôr o umbral
e padecemos que nem cães sem dono
a humilhação de não saber amar
os que entretanto se apossaram de nós,
feitos reféns em silêncios doentios
de bafios e tantos pós
que já não se vê para além do sal,
para laém do mar...
__________
[1] ver poema aqui
Voltas que voltam e arremedam o ser
nos interstícios dos volteios que emanaram
da certeza do querer que se foi
envolto em indizíveis coincidências...
Quanto sofrer seria evitado
se na praia de Quicombo,
tivéssemos vislumbrado
para além das lágrimas do rosto humedecido,
da linda Ébo a olhar,
à espera do avô querido...
Mas não vismos mais do que o imediato,
não conseguimos transpôr o umbral
e padecemos que nem cães sem dono
a humilhação de não saber amar
os que entretanto se apossaram de nós,
feitos reféns em silêncios doentios
de bafios e tantos pós
que já não se vê para além do sal,
para laém do mar...
__________
[1] ver poema aqui
sexta-feira, 19 de junho de 2015
«O mar nos olhos»
Há mulheres que trazem o mar nos olhos
Não pela cor
Mas pela vastidão da alma
E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos
Ficam para além do tempo
Como se a maré nunca as levasse
Da praia onde foram felizes
Há mulheres que trazem o mar nos olhos
pela grandeza da imensidão da alma
pelo infinito modo como abarcam as coisas e os homens...
Há mulheres que são maré em noites de tardes...
e calma
Sophia de Mello Breyner Andresen, in Obra Poética
Não pela cor
Mas pela vastidão da alma
E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos
Ficam para além do tempo
Como se a maré nunca as levasse
Da praia onde foram felizes
Há mulheres que trazem o mar nos olhos
pela grandeza da imensidão da alma
pelo infinito modo como abarcam as coisas e os homens...
Há mulheres que são maré em noites de tardes...
e calma
Sophia de Mello Breyner Andresen, in Obra Poética
sexta-feira, 9 de janeiro de 2015
Os Teus Olhos
Direi verde
do verde dos teus olhos
de um rugoso mais verde
e mais sedento
Daquele não só íntimo
ou só verde
daquele mais macio mais ave
ou vento
Direi vácuo
volume
direi vidro
Direi dos olhos verdes
os teus olhos
e do verde dos teus olhos direi vício
Voragem mais veloz
mais verde
ou vinco
voragem mais crispada
ou precipício
Maria Teresa Horta, in 'Candelabro'
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terça-feira, 27 de dezembro de 2011
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
Um Céu e Nada Mais
Um céu e nada mais — que só um temos,
como neste sistema: só um sol.
Mas luzes a fingir, dependuradas
em abóbada azul — como de tecto.
E o seu número tal, que deslumbrados
eram os teus olhos, se tas mostrasse,
amor, tão de ribalta azul, como de
circo, e dança então comigo no
trapézio, poema em alto risco,
e um levíssimo toque de mistério.
Pega nas lantejoulas a fingir
de sóis mal descobertos e lança
agora a âncora maior sobre o meu
coração. Que não te assuste o som
desse trovão que ainda agora ouviste,
era de deus a sua voz, ou mito,
era de um anjo por demais caído.
Mas, de verdade: natural fenómeno
a invadir-te as veias e o cérebro,
tão frágil como álcool, tão de
potente e liso como álcool
implodindo do céu e das estrelas,
imensas a fingir e penduradas
sobre abóbada azul. Se te mostrasse,
amor, a cor do pesadelo que por
aqui passou agora mesmo, um céu
e nada mais — que nada temos,
que não seja esta angústia de
mortais (e a maldição da rima,
já agora, a invadir poema em alto
risco), e a dança no trapézio
proibido, sem rede, deus, ou lei,
nem música de dança, nem sequer
inocência de criança, amor,
nem inocência. Um céu e nada mais.
Ana Luísa Amaral, in “Às Vezes o Paraíso”
como neste sistema: só um sol.
Mas luzes a fingir, dependuradas
em abóbada azul — como de tecto.
E o seu número tal, que deslumbrados
eram os teus olhos, se tas mostrasse,
amor, tão de ribalta azul, como de
circo, e dança então comigo no
trapézio, poema em alto risco,
e um levíssimo toque de mistério.
Pega nas lantejoulas a fingir
de sóis mal descobertos e lança
agora a âncora maior sobre o meu
coração. Que não te assuste o som
desse trovão que ainda agora ouviste,
era de deus a sua voz, ou mito,
era de um anjo por demais caído.
Mas, de verdade: natural fenómeno
a invadir-te as veias e o cérebro,
tão frágil como álcool, tão de
potente e liso como álcool
implodindo do céu e das estrelas,
imensas a fingir e penduradas
sobre abóbada azul. Se te mostrasse,
amor, a cor do pesadelo que por
aqui passou agora mesmo, um céu
e nada mais — que nada temos,
que não seja esta angústia de
mortais (e a maldição da rima,
já agora, a invadir poema em alto
risco), e a dança no trapézio
proibido, sem rede, deus, ou lei,
nem música de dança, nem sequer
inocência de criança, amor,
nem inocência. Um céu e nada mais.
Ana Luísa Amaral, in “Às Vezes o Paraíso”
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