João Rodrigues de Castelo Branco, mais tarde conhecido por AMATO LUSITANO
Médico e escritor português 1511 -1568
Em Castelo Branco, no ano de 1511, nasceu, de uma família judaica, João Rodrigues .
Frequentou a Universidade de Salamanca onde concluiu o curso de Medicina em 1533/34.
Viveu e exerceu medicina em Lisboa , em Antuérpia, Ferrara (onde leccionou na Universidade local), Ascona, Pesaro e finalmente em Tessalónica, onde morre de peste em 1568.
Portugal, Castelo Branco, 1511:
-Parabéns, mulher. Que rico filho me deste. Vai chamar-se João. João Rodrigues. Não vai precisar de mais nomes. As pessoas são o que são e o que fazem de si. Nunca serão o que os outros fazem delas.
- Que cresça bem e lhe possamos dar todo o amor e ajuda de que vier a precisar. Parabéns, mulher. Temos um filho. Um homem
- Cresce, filho. Cresce.
- Já viste, mulher, como o nosso João está grande? Já reparaste como é atento à vida, inteligente, estudioso? Já viste como ele mantém conversas interessadas com os mais velhos?
- Este nosso João vai longe, mulher. Vai longe. E não lhe faltará a nossa ajuda.
- Mulher, vai custar-nos muito, mas temos de mandar o nosso João estudar em Espanha. Em Salamanca. A Universidade de Lisboa está de rastos, segundo dizem.
- Para o nosso filho tem de ser a melhor, porque ele merece.
- Quer ser médico e será.
- Vai para Salamanca, está resolvido. E sempre te digo, mulher, que a distância é a mesma que a Lisboa.
- Como te "llamas", amigo?
- João. João Rodrigues.
- De onde vens e onde nasceste?
- De Portugal. Em Castelo Branco. Pues ahora te llamarás João Rodrigues de Castelo Branco"
- Parabéns, João. És o orgulho dos teus pais. Estudaste. Cumpriste. És médico e licenciado pela Universidade de Salamanca.
- Agora a vida é tua. Vai em frente. O mundo espera-te. Não faças como eu agarrado que nem uma lapa a este berço de pedra.
- Sempre que sentires que deves ir em frente, vai. O caminho faz-se caminhando, digo-to hoje, quatro séculos antes de alguém o voltar a dizer para a História.
- Sinto, meu pai, que a minha vida se vai fazer de saltos para a frente e para o alto. Umas vezes empurrado pelo destino, outras pelo desejo.
- Sinto, meu pai, que os tempos estão maus e vão piorar ainda. A Inquisição não nos vai dar descanso e vai seguir-nos até nos poder apanhar nos seus longos braços e tentáculos.
- Temos que estar atentos, sempre despertos e capazes de dar resposta a esse perigo, mesmo que tenhamos que fazer um pouco mais de caminho. Assim me obrigam, e assim farei.
- E vós, meus pais?
- A nossa idade é outra, João. Por agora a Inquisição ainda está em estado larvar, lá para Lisboa.
- Ainda vai demorar algum tempo até ficarmos em perigo. Já não a receio, meu filho! Mas tu, vai. Faz o teu caminho.
- Adeus meus pais. Vou direito a Antuérpia, onde não me faltarão clientes e amigos portugueses.
- Muitos judeus ricos já deixaram Lisboa há algum tempo e por lá se instalaram. Farei como eles.
-Adeus, meu pai.
-Adeus, minha mãe.
(Texto de Carlos Vieira Reis)
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