Ó olhos, de onde Amor suas flechas
contra mim, cuja luz me espanta e cega,
ó olhos, onde Amor se esconde, e prega
as almas, e pregando-as, se retira!
Ó olhos, onde Amor amor inspira
e amor promete a todos e amor nega,
ó olhos onde Amor também se emprega
por quem tão bem se chora, e se suspira!
Ó olhos, cujo fogo a neve fria
acende, e queima; ó olhos poderosos
de dar à noite, luz, e vida à morte;
Olhos por quem mais claro nasce o dia,
por quem são os meus olhos tão ditosos,
que de chorar por vós me coube a sorte!
António Ferreira
séc. XVI
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
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