sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

OS OLHOS

Ó olhos, de onde Amor suas flechas
contra mim, cuja luz me espanta e cega,
ó olhos, onde Amor se esconde, e prega
as almas, e pregando-as, se retira!

Ó olhos, onde Amor amor inspira
e amor promete a todos e amor nega,
ó olhos onde Amor também se emprega
por quem tão bem se chora, e se suspira!

Ó olhos, cujo fogo a neve fria
acende, e queima; ó olhos poderosos
de dar à noite, luz, e vida à morte;

Olhos por quem mais claro nasce o dia,
por quem são os meus olhos tão ditosos,
que de chorar por vós me coube a sorte!

António Ferreira
séc. XVI

Sem comentários: