segunda-feira, 27 de outubro de 2008

SONETO DE ESPERA

Aguardando-te, amor, revejo os dias

Da minha infância já distante, quando

Eu ficava, como hoje, te esperando

Mas sem saber ao certo se virias.


E é bom ficar assim, quieto, lembrando

Ao longo de milhares de poesias

Que te estás sempre e sempre renovando

Para me dar maiores alegrias.


Dentro em pouco entrarás, ardente e loura

Como uma jovem chama percursora

Do fogo a se atear entre nós dois


E da cama, onde em ti me dessedento

Tu te erguerás como o pressentimento

De uma mulher morena a vir depois.


(Vinicius de Moraes) - Poesia Completa & Prosa

Sem comentários: