domingo, 19 de outubro de 2008

SÚPLICA

Para alguém, foi, do teu olhar a flama,
Como, após noite escura, a luz d'aurora.

Da «selva oscura» entre a sombria trama,
Ouve, mulher, como esse alguém t' implora.

Oh, baixa sobre mim o olhar fulgente!...

Que o teu olhar é bálsamo que inora,
Do céu sobre este seio, em que, latente,

Remorde, há muito, o cancro de um anseio,
De um desejo insensato e sede ardente

De um não sei quê, que em teu olhar eu leio.

(Ângelo de Lima) - Poesias Completas

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