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sexta-feira, 10 de novembro de 2017
quinta-feira, 4 de junho de 2009
As velas da memória
"Há nos silvos que as manhãs me trazem
chaminés que se desmoronam:
são a infância e a praia os sonhos de partida
Abrir esse portão junto ao vento que a vida
aquém ou além desta me abre?
Em que outro mundo ouvi o rouxinol
tão leve que o voo lhe aumentava as asas?
Onde adiava ele a morte contra os dias
essa primeira morte?
Vinham núpcias sem conto na inconcebível voz
Que plenitude aquela: cantar
como quem não tivesse nenhum pensamento.
Quem me deixou de novo aqui sentado à sombra
deste mês de junho? Como te chamas tu
que me enfunas as velas da memória ventilando: «aquela vez...»?
Quando aonde foi em que país?
Que vento faz quebrar nas costas destes dias
as ondas de uma antiga música que ouvida
obriga a recuar a noite prometida
em círculos quebrados para além das dunas
fazendo regressar rebanhos de alegrias
abrindo em plena tarde um espaço ao amor?
Que morte vem matar a lábil curva da dor?
Que dor me faz doer de não ter mais que morrer?
E ouve-se o silêncio descer pelas vertentes da tarde
chegar à boca da noite e responder"
Ruy Belo
Aquele Grande Rio Eufrates
chaminés que se desmoronam:
são a infância e a praia os sonhos de partida
Abrir esse portão junto ao vento que a vida
aquém ou além desta me abre?
Em que outro mundo ouvi o rouxinol
tão leve que o voo lhe aumentava as asas?
Onde adiava ele a morte contra os dias
essa primeira morte?
Vinham núpcias sem conto na inconcebível voz
Que plenitude aquela: cantar
como quem não tivesse nenhum pensamento.
Quem me deixou de novo aqui sentado à sombra
deste mês de junho? Como te chamas tu
que me enfunas as velas da memória ventilando: «aquela vez...»?
Quando aonde foi em que país?
Que vento faz quebrar nas costas destes dias
as ondas de uma antiga música que ouvida
obriga a recuar a noite prometida
em círculos quebrados para além das dunas
fazendo regressar rebanhos de alegrias
abrindo em plena tarde um espaço ao amor?
Que morte vem matar a lábil curva da dor?
Que dor me faz doer de não ter mais que morrer?
E ouve-se o silêncio descer pelas vertentes da tarde
chegar à boca da noite e responder"
Ruy Belo
Aquele Grande Rio Eufrates
domingo, 29 de março de 2009
Domingo e nós
«"O que é que você vai fazer domingo à tarde?"
Por que é que você não vai sair comigo?
Vem passar a tarde comigo
vamos passear de mão dada,
os olhos enroscados nos olhos
e os lábios carentes de beijos
vão afogar-se em mil desejos
e a tarde será noite
e a noite será dia
e o dia será a vida
e sempre assim
mergulhados um no outro
seremos felizes...
beijos e beijos...
"beija-me, beija-me mil vezes..."
E sabes que a esta hora
e na hora anterior
e na posterior
eu penso em ti
e sempre.
"beija-me mil vezes, mil vezes mais..."»
Rouxinol (29.03.2009 - 18:02)
Por que é que você não vai sair comigo?
Vem passar a tarde comigo
vamos passear de mão dada,
os olhos enroscados nos olhos
e os lábios carentes de beijos
vão afogar-se em mil desejos
e a tarde será noite
e a noite será dia
e o dia será a vida
e sempre assim
mergulhados um no outro
seremos felizes...
beijos e beijos...
"beija-me, beija-me mil vezes..."
E sabes que a esta hora
e na hora anterior
e na posterior
eu penso em ti
e sempre.
"beija-me mil vezes, mil vezes mais..."»
Rouxinol (29.03.2009 - 18:02)
sábado, 7 de fevereiro de 2009
Urgência de ser
Urgência de ser,
num desejo infinito,
num querer sem limites...
Vazios contíguos
de espaços, sem memória,
sem compassos de espera,
desespero, escapatória...
Suporte de essência
em viela simplória
de nostálgia, estória,
numa presença ausente,
de indefinível esperança,
de incansável persistência...
num desejo infinito,
num querer sem limites...
Vazios contíguos
de espaços, sem memória,
sem compassos de espera,
desespero, escapatória...
Suporte de essência
em viela simplória
de nostálgia, estória,
numa presença ausente,
de indefinível esperança,
de incansável persistência...
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