"Eu sou líquida mas recolhida
no íntimo estanho de uma jarra
e em tua boca um clavicórdio
quer recordar-me que sou ária
aérea vária porém sentada
perfil que os flamingos voaram.
Pelos canteiros eu conto os gerânios
de uns tantos anos que nos separam.
Teu amor de planta submarina
procura um húmido lugar.
Sabiamente preencho a piscina
que te dê o hábito de afogar.
Do que não viste a minha idade
te inquieta como a ciência
do mundo ser muito velho
três vezes por mim rodeado
sem saber da tua existência.
Pensas-me a ilha e me sitias
de violinos por todos os lados
e em tua pele o que eu respiro
é um ar de frutos sossegados".
Natália Correia, in "O Vinho e a Lira"
sexta-feira, 23 de julho de 2010
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Tentei fugir
"Tentei fugir da mancha mais escura
que existe no teu corpo, e desisti.
Era pior que a morte o que antevi:
era a dor de ficar sem sepultura.
Bebi entre os teus flancos a loucura
de não poder viver longe de ti:
és a sombra da casa onde nasci,
és a noite que à noite me procura.
Só por dentro de ti há corredores
e em quartos interiores o cheiro a fruta
que veste de frescura a escuridão...
Só por dentro de ti rebentam flores.
Só por dentro de ti a noite escuta
o que me sai, sem voz, do coração."
David Mourão-Ferreira -
que existe no teu corpo, e desisti.
Era pior que a morte o que antevi:
era a dor de ficar sem sepultura.
Bebi entre os teus flancos a loucura
de não poder viver longe de ti:
és a sombra da casa onde nasci,
és a noite que à noite me procura.
Só por dentro de ti há corredores
e em quartos interiores o cheiro a fruta
que veste de frescura a escuridão...
Só por dentro de ti rebentam flores.
Só por dentro de ti a noite escuta
o que me sai, sem voz, do coração."
David Mourão-Ferreira -
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Por un beso nada más...
"Bésame con el beso de tu boca,
cariñosa mitad del alma mía:
un solo beso el corazón invoca,
que la dicha de dos... me mataría.
¡Un beso nada más! Ya su perfume
en mi alma derramándose la embriaga
y mi alma por tu beso se consume
y por mis labios impaciente vaga.
¡Júntese con la tuya! Ya no puedo
lejos tenerla de tus labios rojos...
¡Pronto... dame tus labios! ¡Tengo miedo
de ver tan cerca tus divinos ojos!
Hay un cielo, mujer en tus abrazos,
siento de dicha el corazón opreso...
¡Oh! ¡Sosténme en la vida de tus brazos
para que no me mates con tu beso!"
Manuel María Flores
(Nunca podría imaginar que por un beso, tú llegarías a cambiar así mi vida. Conocerte trastornó mi pensamiento...)
cariñosa mitad del alma mía:
un solo beso el corazón invoca,
que la dicha de dos... me mataría.
¡Un beso nada más! Ya su perfume
en mi alma derramándose la embriaga
y mi alma por tu beso se consume
y por mis labios impaciente vaga.
¡Júntese con la tuya! Ya no puedo
lejos tenerla de tus labios rojos...
¡Pronto... dame tus labios! ¡Tengo miedo
de ver tan cerca tus divinos ojos!
Hay un cielo, mujer en tus abrazos,
siento de dicha el corazón opreso...
¡Oh! ¡Sosténme en la vida de tus brazos
para que no me mates con tu beso!"
Manuel María Flores
(Nunca podría imaginar que por un beso, tú llegarías a cambiar así mi vida. Conocerte trastornó mi pensamiento...)
terça-feira, 6 de abril de 2010
Quase de nada místico
"Não, não deve ser nada este pulsar
de dentro: só um lento desejo
de dançar. E nem deve ter grande
significado este vapor dourado,
e invisível a olhares alheios:
só um pólen a meio, como de abelha
à espera de voar. E não é com certeza
relevante este brilhante aqui:
poeira de diamante que encontrei
pelo verso e por acaso, poema
muito breve e muito raso,
que (aproveitando) trago para ti."
de Às Vezes o Paraíso
Ana Luísa Amaral
Anos 90 e agora
Uma Antologia da Nova Poesia Portuguesa
edições quasi
quinta-feira, 1 de abril de 2010
domingo, 14 de março de 2010
PROFECIA
........................................
Quando enfim, pela tarde, te forem casar
Como quem vai levar a menina ao emprego,
Eu hei-de recolher-te uma vaga tristeza
Disfarçada no teu rosto,
Que a beleza mais tua, é gerada
Num desgosto!
E hei-de ouvir gemer uma saudade
Que te ficou sozinha,
Desprezada,
Nessa boca florida e tolhida
Para dizer a verdade!
Mas não posso...
Ai, não posso dizer nada,
Ao frágil corpo ardente de argila queimada
Que a minha mão ansiosa modelou!
E o silêncio de então ficará nos dois versos
Dum poema sublime,
Incompleto
Que se queimou!
E os sinos lamentarão
Indecisos...
E murcharão sorrisos
De inquietação.
Hão-de bater as tuas portas, longamente,
Sem se poder saber quem as empurra!...
Hão-de fechar-se as portas
Brutalmente,
Como ferros de prisão...
- E silenciosamente
Como tampas forradas de caíxão!
E à noite,
Pelos teus corredores,
Vaguearão penitentes,
Medonhos,
Os fantasmas de amores escondidos
Em teus sonhos!
Políbio Gomes dos Santos (Ansião, 1911-1939) in Poemas Campo das Letras
Quando enfim, pela tarde, te forem casar
Como quem vai levar a menina ao emprego,
Eu hei-de recolher-te uma vaga tristeza
Disfarçada no teu rosto,
Que a beleza mais tua, é gerada
Num desgosto!
E hei-de ouvir gemer uma saudade
Que te ficou sozinha,
Desprezada,
Nessa boca florida e tolhida
Para dizer a verdade!
Mas não posso...
Ai, não posso dizer nada,
Ao frágil corpo ardente de argila queimada
Que a minha mão ansiosa modelou!
E o silêncio de então ficará nos dois versos
Dum poema sublime,
Incompleto
Que se queimou!
E os sinos lamentarão
Indecisos...
E murcharão sorrisos
De inquietação.
Hão-de bater as tuas portas, longamente,
Sem se poder saber quem as empurra!...
Hão-de fechar-se as portas
Brutalmente,
Como ferros de prisão...
- E silenciosamente
Como tampas forradas de caíxão!
E à noite,
Pelos teus corredores,
Vaguearão penitentes,
Medonhos,
Os fantasmas de amores escondidos
Em teus sonhos!
Políbio Gomes dos Santos (Ansião, 1911-1939) in Poemas Campo das Letras
domingo, 7 de março de 2010
BELA D'AMOR
Pois essa luz cintilante
Que brilha no teu semblante
Donde lhe vem o 'splendor?
Não sentes no peito a chama
Que aos meus suspiros se inflama
E toda reluz de amor?
Pois a celeste fragância
Que te sentes exalar,
Pois, dize, a ingénua elegância
Com que te vês ondular
Como se baloiça a flor
Na Primavera em verdor,
Dize, dize: a natureza
Pode dar tal gentileza?
Quem ta deu senão amor?
Vê-te a esse espelho, querida,
Ai! vê-te por tua vida
E diz se há no céu estrela,
Diz-me se há no prado flor,
Que Deus fizesse tão bela
Como te faz, meu amor.
Almeida Garrett in Folhas Caídas
Que brilha no teu semblante
Donde lhe vem o 'splendor?
Não sentes no peito a chama
Que aos meus suspiros se inflama
E toda reluz de amor?
Pois a celeste fragância
Que te sentes exalar,
Pois, dize, a ingénua elegância
Com que te vês ondular
Como se baloiça a flor
Na Primavera em verdor,
Dize, dize: a natureza
Pode dar tal gentileza?
Quem ta deu senão amor?
Vê-te a esse espelho, querida,
Ai! vê-te por tua vida
E diz se há no céu estrela,
Diz-me se há no prado flor,
Que Deus fizesse tão bela
Como te faz, meu amor.
Almeida Garrett in Folhas Caídas
sábado, 6 de março de 2010
O POEMA EM QUE TE BUSCO É A MINHA REDE
O poema em que te busco é a minha rede,
Bem mais de borboletas que de peixes,
E é o copo em que te bebo: morro à sede
Mas ainda és margarida e não-me-deixes
E muito mais, no enumerar das coisas:
Cordão de laço e corda de violino,
Saliva de verdade nalgum beijo,
E poisas
Como ave de aço em pão se não te vejo.
Mas onde mais real do céu me avisas
É nas tuas camisas,
Calças de cor no catre bem dobradas.
E és os meus pensamentos, se te ausentas,
Meu ciúme escuro como vinho em toalha;
E o branco circular das horas lentas
Que um perfurante amor lembrado espalha.
Põe o penso no velo intercrural
Com um atilho vertical:
Rosa coberta esquiva
Quer a mão do desejo, quer
O conhecido cravo da agressão
Que estendo às tuas formas de mulher,
Com esta soma e verbal precaução
De um fónico doutor de Mompilher.
Vitorino Nemésio in Cadernos de Caligrafia e Outros Poemas a Marga
Bem mais de borboletas que de peixes,
E é o copo em que te bebo: morro à sede
Mas ainda és margarida e não-me-deixes
E muito mais, no enumerar das coisas:
Cordão de laço e corda de violino,
Saliva de verdade nalgum beijo,
E poisas
Como ave de aço em pão se não te vejo.
Mas onde mais real do céu me avisas
É nas tuas camisas,
Calças de cor no catre bem dobradas.
E és os meus pensamentos, se te ausentas,
Meu ciúme escuro como vinho em toalha;
E o branco circular das horas lentas
Que um perfurante amor lembrado espalha.
Põe o penso no velo intercrural
Com um atilho vertical:
Rosa coberta esquiva
Quer a mão do desejo, quer
O conhecido cravo da agressão
Que estendo às tuas formas de mulher,
Com esta soma e verbal precaução
De um fónico doutor de Mompilher.
Vitorino Nemésio in Cadernos de Caligrafia e Outros Poemas a Marga
ADORMECER
Vai vida na madrugada fria.
O teu amante fica,
na posse deste momento que foi teu,
amorfo e sem limites como um anjo;
a cabeça cheia de estrelas...
Fica abraçado a esta poeira que teu pé levantou,
Fica inútil e hirto como um deus,
desfalecendo na raiva de não poder seguir-te!
Manuel da Fonseca in Poemas Dispersos
O teu amante fica,
na posse deste momento que foi teu,
amorfo e sem limites como um anjo;
a cabeça cheia de estrelas...
Fica abraçado a esta poeira que teu pé levantou,
Fica inútil e hirto como um deus,
desfalecendo na raiva de não poder seguir-te!
Manuel da Fonseca in Poemas Dispersos
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
O Coração
"Demos-lhe sementes; não muitas,
mas quanto bastasse para não se cansar;
água lhe demos, apenas um dedal,
para que os céus lhe batessem no olhar
e à gaiola um pequeno espelho prendemos
para de frente a nuvem poder
contemplar.
Quieta se sentava, com as
asas palpitantes
Assim ela cantava"
Solveig Von SCHOULTZ,
poeta Finlandês(1907-1986);
Trad.: José Agostonho Baptista
mas quanto bastasse para não se cansar;
água lhe demos, apenas um dedal,
para que os céus lhe batessem no olhar
e à gaiola um pequeno espelho prendemos
para de frente a nuvem poder
contemplar.
Quieta se sentava, com as
asas palpitantes
Assim ela cantava"
Solveig Von SCHOULTZ,
poeta Finlandês(1907-1986);
Trad.: José Agostonho Baptista
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Esta noite
"Esta noite o vento ceifa os bosques e
uma raiva sacode a terra. Se a voz
do mar chamasse pelas velas, os estreitos
aguardariam um naufrágio. E se dissesses
o meu nome eu morreria de amor.
Devo, por isso, afastar-me de ti – não
por ter medo de morrer (que é de já não
o ter que tenho medo), mas porque a chuva
que devora as esquinas é a única canção
que se ouve esta noite sobre o teu silêncio."
Maria do Rosário Pereira
uma raiva sacode a terra. Se a voz
do mar chamasse pelas velas, os estreitos
aguardariam um naufrágio. E se dissesses
o meu nome eu morreria de amor.
Devo, por isso, afastar-me de ti – não
por ter medo de morrer (que é de já não
o ter que tenho medo), mas porque a chuva
que devora as esquinas é a única canção
que se ouve esta noite sobre o teu silêncio."
Maria do Rosário Pereira
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
domingo, 31 de janeiro de 2010
Te siento
Te siento cada dia rozándome invisible
sutilmente impalpable.
Y aunque sé que siempre te he llevado conmigo
eres siempre la suave, dulcemente imposible
lejania luminosa...
Te siento cada dia cantar, mas no sé donde.
Eres algo que vive más allá de mi mismo
y aunque siempre eres nube y horizonte lejano
senti tu beso sobre mi alma!
Mi espiritu solitario te sueña en todas las cosas
Mi alma te busca tras toda emoción
Mi camino está lleno de tu nombre!
Lejana!...Dónde estás?...Dónde estás?
Renato Huerta
sutilmente impalpable.
Y aunque sé que siempre te he llevado conmigo
eres siempre la suave, dulcemente imposible
lejania luminosa...
Te siento cada dia cantar, mas no sé donde.
Eres algo que vive más allá de mi mismo
y aunque siempre eres nube y horizonte lejano
senti tu beso sobre mi alma!
Mi espiritu solitario te sueña en todas las cosas
Mi alma te busca tras toda emoción
Mi camino está lleno de tu nombre!
Lejana!...Dónde estás?...Dónde estás?
Renato Huerta
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Como açucena
Como açucena, abre-se o teu rosto
Por sobre a doce, tímida paisagem;
Serena imagem
Na manhã de Agosto.
Como magnólia, vertes o perfume
Das tuas ancas sobre o pinheiral;
Ávido de lume,
Casto e sensual.
Como pinho selvagem, te recebo
E amo no chão de areia ensolarado;
Ingénuo efebo
Deslumbrado.
Daniel Filipe
domingo, 24 de janeiro de 2010
Chamamento
"Da margem do sonho
e do outro lado do mar
alguém me estremece
sem me alcançar.
Um bafo de desejo
chega, vago, até mim.
Perfume delido
de impossível jasmim.
É ele que me sonha?
Sou eu a sonhar?
Sabê-lo seria
desfazer, no vento,
tranças de luar.
Nuvens,
barcos,
espumas
desmancham-se na noite.
E a vida lateja, longe,
num outro lugar."
Luísa Dacosta in
Cem Poemas Portugueses no Feminino,
Terramar
e do outro lado do mar
alguém me estremece
sem me alcançar.
Um bafo de desejo
chega, vago, até mim.
Perfume delido
de impossível jasmim.
É ele que me sonha?
Sou eu a sonhar?
Sabê-lo seria
desfazer, no vento,
tranças de luar.
Nuvens,
barcos,
espumas
desmancham-se na noite.
E a vida lateja, longe,
num outro lugar."
Luísa Dacosta in
Cem Poemas Portugueses no Feminino,
Terramar
sábado, 23 de janeiro de 2010
Foste o beijo melhor da minha vida
Foste o beijo melhor da minha vida,
ou talvez o pior... Glória e tormento,
contigo à luz subi do firmamento,
contigo fui pela infernal descida!
Morreste, e o meu desejo não te olvida:
queimas-me o sangue, enches-me o pensamento
e do teu gosto amargo me alimento,
e rolo-te na boca malferida.
Beijo extremo, meu prémio e meu castigo,
baptismo e extrema-unção, naquele instante
por que, feliz, eu não morri contigo?
Sinto-me o ardor, e o crepitar te escuto,
beijo divino! e anseio delirante,
na perpétua saudade de um minuto...
Olavo Bilac
ou talvez o pior... Glória e tormento,
contigo à luz subi do firmamento,
contigo fui pela infernal descida!
Morreste, e o meu desejo não te olvida:
queimas-me o sangue, enches-me o pensamento
e do teu gosto amargo me alimento,
e rolo-te na boca malferida.
Beijo extremo, meu prémio e meu castigo,
baptismo e extrema-unção, naquele instante
por que, feliz, eu não morri contigo?
Sinto-me o ardor, e o crepitar te escuto,
beijo divino! e anseio delirante,
na perpétua saudade de um minuto...
Olavo Bilac
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Condenado estou a te amar
Condenado estou a te amar
nos meus limites
até que exausta e mais querendo
um amor total, livre das cercas,
te depeça de mim, sofrida,
na direcção de outro amor
que pensas ser total e total será
nos seus limites da vida...
O amor não se mede
pela liberdade de se expor nas praças
e bares, em empecilho.
É claro que isto é bom e, às vezes,
sublime.
Mas se ama também de outra forma, incerta,
é este o mistério:
- Ilimitado o amor às vezes se limita,
proibido é que o amor às vezes se liberta.
Affonso Romano de Sant'Anna
nos meus limites
até que exausta e mais querendo
um amor total, livre das cercas,
te depeça de mim, sofrida,
na direcção de outro amor
que pensas ser total e total será
nos seus limites da vida...
O amor não se mede
pela liberdade de se expor nas praças
e bares, em empecilho.
É claro que isto é bom e, às vezes,
sublime.
Mas se ama também de outra forma, incerta,
é este o mistério:
- Ilimitado o amor às vezes se limita,
proibido é que o amor às vezes se liberta.
Affonso Romano de Sant'Anna
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Era o último amor
Era o último amor. A casa fria,
os pés molhados no escuro chão.
Era o último amor e não sabia
esconder o rosto em tanta solidão.
Era o último amor. Quem adivinha
o sabor pela escuridão?
Quem oferece frutos nessa neve?
Quem rasga com ternura o que foi verão?
Era o último amor, o mais perfeito
fulgor do que viveu sem as palavras.
Era o último amor, perfil desfeito
entre lumes e vozes passadas.
Era o último amor e não sabia
que os pés à terra nua oferecia.
Luís Filipe Castro Mendes
os pés molhados no escuro chão.
Era o último amor e não sabia
esconder o rosto em tanta solidão.
Era o último amor. Quem adivinha
o sabor pela escuridão?
Quem oferece frutos nessa neve?
Quem rasga com ternura o que foi verão?
Era o último amor, o mais perfeito
fulgor do que viveu sem as palavras.
Era o último amor, perfil desfeito
entre lumes e vozes passadas.
Era o último amor e não sabia
que os pés à terra nua oferecia.
Luís Filipe Castro Mendes
Eu sei e você sabe
Eu sei e você sabe
Já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe
Que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos
Me encaminham a você.
Assim como o Oceano, só é belo com o luar
Assim como a Canção, só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem, só acontece se chover
Assim como o poeta, só é bem grande se sofrer
Assim como viver sem ter amor, não é viver
Não há você sem mim
E eu não existo sem você!
Vinicius de Moraes
Já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe
Que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos
Me encaminham a você.
Assim como o Oceano, só é belo com o luar
Assim como a Canção, só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem, só acontece se chover
Assim como o poeta, só é bem grande se sofrer
Assim como viver sem ter amor, não é viver
Não há você sem mim
E eu não existo sem você!
Vinicius de Moraes
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