Silêncios musicais
de infernais palavras
que não vão com o vento,
mas toldam meu pensamento...
Quisera ser gaivota,
ou borboleta ou até somente
inefável odor que se te pespegasse
num eterno e imenso abraço...
Quem dera ser o aconchego, sem medo,
dos teus passos lentos fugidios,
dos lassos e ternos desvarios...
Quem fosse inebriante fragrância
de mar e de lembrança a sal
perdida na tua lembrança...
quinta-feira, 27 de julho de 2017
Na praia de Quicombo olhando o mar...
Na praia de Quicombo olhando o mar[1]...
Voltas que voltam e arremedam o ser
nos interstícios dos volteios que emanaram
da certeza do querer que se foi
envolto em indizíveis coincidências...
Quanto sofrer seria evitado
se na praia de Quicombo,
tivéssemos vislumbrado
para além das lágrimas do rosto humedecido,
da linda Ébo a olhar,
à espera do avô querido...
Mas não vismos mais do que o imediato,
não conseguimos transpôr o umbral
e padecemos que nem cães sem dono
a humilhação de não saber amar
os que entretanto se apossaram de nós,
feitos reféns em silêncios doentios
de bafios e tantos pós
que já não se vê para além do sal,
para laém do mar...
__________
[1] ver poema aqui
Voltas que voltam e arremedam o ser
nos interstícios dos volteios que emanaram
da certeza do querer que se foi
envolto em indizíveis coincidências...
Quanto sofrer seria evitado
se na praia de Quicombo,
tivéssemos vislumbrado
para além das lágrimas do rosto humedecido,
da linda Ébo a olhar,
à espera do avô querido...
Mas não vismos mais do que o imediato,
não conseguimos transpôr o umbral
e padecemos que nem cães sem dono
a humilhação de não saber amar
os que entretanto se apossaram de nós,
feitos reféns em silêncios doentios
de bafios e tantos pós
que já não se vê para além do sal,
para laém do mar...
__________
[1] ver poema aqui
sexta-feira, 19 de junho de 2015
«O mar nos olhos»
Há mulheres que trazem o mar nos olhos
Não pela cor
Mas pela vastidão da alma
E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos
Ficam para além do tempo
Como se a maré nunca as levasse
Da praia onde foram felizes
Há mulheres que trazem o mar nos olhos
pela grandeza da imensidão da alma
pelo infinito modo como abarcam as coisas e os homens...
Há mulheres que são maré em noites de tardes...
e calma
Sophia de Mello Breyner Andresen, in Obra Poética
Não pela cor
Mas pela vastidão da alma
E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos
Ficam para além do tempo
Como se a maré nunca as levasse
Da praia onde foram felizes
Há mulheres que trazem o mar nos olhos
pela grandeza da imensidão da alma
pelo infinito modo como abarcam as coisas e os homens...
Há mulheres que são maré em noites de tardes...
e calma
Sophia de Mello Breyner Andresen, in Obra Poética
sexta-feira, 9 de janeiro de 2015
Os Teus Olhos
Direi verde
do verde dos teus olhos
de um rugoso mais verde
e mais sedento
Daquele não só íntimo
ou só verde
daquele mais macio mais ave
ou vento
Direi vácuo
volume
direi vidro
Direi dos olhos verdes
os teus olhos
e do verde dos teus olhos direi vício
Voragem mais veloz
mais verde
ou vinco
voragem mais crispada
ou precipício
Maria Teresa Horta, in 'Candelabro'
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terça-feira, 27 de dezembro de 2011
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
Um Céu e Nada Mais
Um céu e nada mais — que só um temos,
como neste sistema: só um sol.
Mas luzes a fingir, dependuradas
em abóbada azul — como de tecto.
E o seu número tal, que deslumbrados
eram os teus olhos, se tas mostrasse,
amor, tão de ribalta azul, como de
circo, e dança então comigo no
trapézio, poema em alto risco,
e um levíssimo toque de mistério.
Pega nas lantejoulas a fingir
de sóis mal descobertos e lança
agora a âncora maior sobre o meu
coração. Que não te assuste o som
desse trovão que ainda agora ouviste,
era de deus a sua voz, ou mito,
era de um anjo por demais caído.
Mas, de verdade: natural fenómeno
a invadir-te as veias e o cérebro,
tão frágil como álcool, tão de
potente e liso como álcool
implodindo do céu e das estrelas,
imensas a fingir e penduradas
sobre abóbada azul. Se te mostrasse,
amor, a cor do pesadelo que por
aqui passou agora mesmo, um céu
e nada mais — que nada temos,
que não seja esta angústia de
mortais (e a maldição da rima,
já agora, a invadir poema em alto
risco), e a dança no trapézio
proibido, sem rede, deus, ou lei,
nem música de dança, nem sequer
inocência de criança, amor,
nem inocência. Um céu e nada mais.
Ana Luísa Amaral, in “Às Vezes o Paraíso”
como neste sistema: só um sol.
Mas luzes a fingir, dependuradas
em abóbada azul — como de tecto.
E o seu número tal, que deslumbrados
eram os teus olhos, se tas mostrasse,
amor, tão de ribalta azul, como de
circo, e dança então comigo no
trapézio, poema em alto risco,
e um levíssimo toque de mistério.
Pega nas lantejoulas a fingir
de sóis mal descobertos e lança
agora a âncora maior sobre o meu
coração. Que não te assuste o som
desse trovão que ainda agora ouviste,
era de deus a sua voz, ou mito,
era de um anjo por demais caído.
Mas, de verdade: natural fenómeno
a invadir-te as veias e o cérebro,
tão frágil como álcool, tão de
potente e liso como álcool
implodindo do céu e das estrelas,
imensas a fingir e penduradas
sobre abóbada azul. Se te mostrasse,
amor, a cor do pesadelo que por
aqui passou agora mesmo, um céu
e nada mais — que nada temos,
que não seja esta angústia de
mortais (e a maldição da rima,
já agora, a invadir poema em alto
risco), e a dança no trapézio
proibido, sem rede, deus, ou lei,
nem música de dança, nem sequer
inocência de criança, amor,
nem inocência. Um céu e nada mais.
Ana Luísa Amaral, in “Às Vezes o Paraíso”
segunda-feira, 21 de março de 2011
Et maintenant
Et maintenant que vais-je faire
De tout ce temps que sera ma vie
De tous ces gens qui m'indiffèrent
Maintenant que tu es partie
Toutes ces nuits, pourquoi pour qui
Et ce matin qui revient pour rien
Ce cœur qui bat, pour qui, pourquoi
Qui bat trop fort, trop fort
Et maintenant que vais-je faire
Vers quel néant glissera ma vie
Tu m'as laissé la terre entière
Mais la terre sans toi c'est petit
Vous, mes amis, soyez gentils
Vous savez bien que l'on n'y peut rien
Même Paris crève d'ennui
Toutes ses rues me tuent
Et maintenant que vais-je faire
Je vais en rire pour ne plus pleurer
Je vais brûler des nuits entières
Au matin je te haïrai
Et puis un soir dans mon miroir
Je verrai bien la fin du chemin
Pas une fleur et pas de pleurs
Au moment de l'adieu
Je n'ai vraiment plus rien à faire
Je n'ai vraiment plus rien ...
terça-feira, 1 de março de 2011
POEMA DE AMOR
Se te pedirem, amor, se te pedirem
que contes a velha história
da nau que partiu
e se perdeu,
não contes,amor, não contes
que o mar és tu
e a nau sou eu.
E se te pedirem, amor, e se te pedirem
que contes a velha fábula
do lobo que matou o cordeiro
e lhe roeu as entranhas,
não contes, amor, não contes
que o lobo é a minha carne
e o cordeiro a minha estrela
que sempre tu conheceste
e te guiou - mal ou bem.
Depois, sabes, estou enjoado
desta farsa.
Histórias, fábulas, amores
tudo me corre os ouvidos
a fugir.
Sou o guerreiro sem forças
para erguer a sua espada,
sou o piloto do barco
que a tempestade afundou.
Não contes, amor, não contes
que eu tenho a alma sem luz.
...Quero-me só, a sofrer e arrastar
a minha cruz.
Fernando Namora in Relevos
que contes a velha história
da nau que partiu
e se perdeu,
não contes,amor, não contes
que o mar és tu
e a nau sou eu.
E se te pedirem, amor, e se te pedirem
que contes a velha fábula
do lobo que matou o cordeiro
e lhe roeu as entranhas,
não contes, amor, não contes
que o lobo é a minha carne
e o cordeiro a minha estrela
que sempre tu conheceste
e te guiou - mal ou bem.
Depois, sabes, estou enjoado
desta farsa.
Histórias, fábulas, amores
tudo me corre os ouvidos
a fugir.
Sou o guerreiro sem forças
para erguer a sua espada,
sou o piloto do barco
que a tempestade afundou.
Não contes, amor, não contes
que eu tenho a alma sem luz.
...Quero-me só, a sofrer e arrastar
a minha cruz.
Fernando Namora in Relevos
MAR DE SARGAÇO
Tudo que faço ou medito
Fica sempre na metade.
Querendo, quero o infinito.
Fazendo, nada é verdade.
Que nojo de mim fica
Ao olhar para o que faço!
Minha alma é lúcida e rica,
E eu sou um mar de sargaço -
Um mar onde bóiam lentos
Fragmentos de um mar de além...
Vontades ou pensamentos?
Não o sei e sei-o bem.
Fernando Pessoa in Obra Poética
Fica sempre na metade.
Querendo, quero o infinito.
Fazendo, nada é verdade.
Que nojo de mim fica
Ao olhar para o que faço!
Minha alma é lúcida e rica,
E eu sou um mar de sargaço -
Um mar onde bóiam lentos
Fragmentos de um mar de além...
Vontades ou pensamentos?
Não o sei e sei-o bem.
Fernando Pessoa in Obra Poética
PERGUNTA
Quem vem de longe e sabe o nome do meu lugar
e levou o caminho das conchas em mar
e dos olhos em rio
- quem vem de longe chorar por mim?
Quem sabe que eu findo de dureza
e condensa ternura em suas mãos
para derramar em afagos
por mim?
Quem ouviu a angústia do meu brado,
sirene de um navio a vadiar no largo,
e me traz seus beijos e sua cor,
perdendo-se na bruma das madrugadas
por mim?
Quem soube das asperezas da viagem
e pediu o pão negado
e o suor ao corpo torturado,
por mim? por mim?
Quem gerou o mundo e lhe deu seu nome
e seu tamanho - imenso, imenso,
e em mim cabe?
(Fernando Namora in Mar de Sargaços)
e levou o caminho das conchas em mar
e dos olhos em rio
- quem vem de longe chorar por mim?
Quem sabe que eu findo de dureza
e condensa ternura em suas mãos
para derramar em afagos
por mim?
Quem ouviu a angústia do meu brado,
sirene de um navio a vadiar no largo,
e me traz seus beijos e sua cor,
perdendo-se na bruma das madrugadas
por mim?
Quem soube das asperezas da viagem
e pediu o pão negado
e o suor ao corpo torturado,
por mim? por mim?
Quem gerou o mundo e lhe deu seu nome
e seu tamanho - imenso, imenso,
e em mim cabe?
(Fernando Namora in Mar de Sargaços)
domingo, 27 de fevereiro de 2011
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Livro dos Amantes
"Pusemos tanto azul nessa distância
ancorada em incerta claridade
e ficamos nas paredes do vento
a escorrer para tudo o que ele invade.
Pusemos tantas flores nas horas breves
que secam folhas nas árvores dos dedos.
E ficámos cingidos nas estátuas
a morder-nos na carne dum segredo".
Natália Correia
ancorada em incerta claridade
e ficamos nas paredes do vento
a escorrer para tudo o que ele invade.
Pusemos tantas flores nas horas breves
que secam folhas nas árvores dos dedos.
E ficámos cingidos nas estátuas
a morder-nos na carne dum segredo".
Natália Correia
sábado, 4 de dezembro de 2010
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
PROMESAS
"Cómo se llena
el vacío?
Cómo reemplazo
la esperanza?
Palabra dada,
Escrita en arena
Al final,
Con la marea
Se va.
Y vuelvo al lugar,
y busco.
Oigo rumores,
viento suave
que encierra promesa.
Y espero
que el mar
devuelva lo que
se llevó.
Juegan las olas
con mi esperanza.
Subo y bajo
con su vaivén.
El vacío crece,
víctima
y progenitor,
del sueño
de ayer."
Mercurio:
Maestra, traductora y psicoterapeuta norteamericana residente en México.
el vacío?
Cómo reemplazo
la esperanza?
Palabra dada,
Escrita en arena
Al final,
Con la marea
Se va.
Y vuelvo al lugar,
y busco.
Oigo rumores,
viento suave
que encierra promesa.
Y espero
que el mar
devuelva lo que
se llevó.
Juegan las olas
con mi esperanza.
Subo y bajo
con su vaivén.
El vacío crece,
víctima
y progenitor,
del sueño
de ayer."
Mercurio:
Maestra, traductora y psicoterapeuta norteamericana residente en México.
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Damien Rice - The Blower's Daughter - Official Video
And so it's
Just like you said it would be
Life goes easy on me
Most of the time
And so it's
The shorter story
No love, no glory
No hero in her sky
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes...
And so it's
Just like you said it should be
We'll both forget the breeze
Most of the time
And so it's
The colder water
The blower's daughter
The pupil in denial
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes...
Did I say that I loathe you?
Did I say that I want to
Leave it all behind?
I can't take my mind off you
I can't take my mind off you
I can't take my mind off you
I can't take my mind off you
I can't take my mind off you
I can't take my mind...
My mind... my mind...
Until I find somebody new
sexta-feira, 23 de julho de 2010
A Arte de Ser Amada
"Eu sou líquida mas recolhida
no íntimo estanho de uma jarra
e em tua boca um clavicórdio
quer recordar-me que sou ária
aérea vária porém sentada
perfil que os flamingos voaram.
Pelos canteiros eu conto os gerânios
de uns tantos anos que nos separam.
Teu amor de planta submarina
procura um húmido lugar.
Sabiamente preencho a piscina
que te dê o hábito de afogar.
Do que não viste a minha idade
te inquieta como a ciência
do mundo ser muito velho
três vezes por mim rodeado
sem saber da tua existência.
Pensas-me a ilha e me sitias
de violinos por todos os lados
e em tua pele o que eu respiro
é um ar de frutos sossegados".
Natália Correia, in "O Vinho e a Lira"
no íntimo estanho de uma jarra
e em tua boca um clavicórdio
quer recordar-me que sou ária
aérea vária porém sentada
perfil que os flamingos voaram.
Pelos canteiros eu conto os gerânios
de uns tantos anos que nos separam.
Teu amor de planta submarina
procura um húmido lugar.
Sabiamente preencho a piscina
que te dê o hábito de afogar.
Do que não viste a minha idade
te inquieta como a ciência
do mundo ser muito velho
três vezes por mim rodeado
sem saber da tua existência.
Pensas-me a ilha e me sitias
de violinos por todos os lados
e em tua pele o que eu respiro
é um ar de frutos sossegados".
Natália Correia, in "O Vinho e a Lira"
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Tentei fugir
"Tentei fugir da mancha mais escura
que existe no teu corpo, e desisti.
Era pior que a morte o que antevi:
era a dor de ficar sem sepultura.
Bebi entre os teus flancos a loucura
de não poder viver longe de ti:
és a sombra da casa onde nasci,
és a noite que à noite me procura.
Só por dentro de ti há corredores
e em quartos interiores o cheiro a fruta
que veste de frescura a escuridão...
Só por dentro de ti rebentam flores.
Só por dentro de ti a noite escuta
o que me sai, sem voz, do coração."
David Mourão-Ferreira -
que existe no teu corpo, e desisti.
Era pior que a morte o que antevi:
era a dor de ficar sem sepultura.
Bebi entre os teus flancos a loucura
de não poder viver longe de ti:
és a sombra da casa onde nasci,
és a noite que à noite me procura.
Só por dentro de ti há corredores
e em quartos interiores o cheiro a fruta
que veste de frescura a escuridão...
Só por dentro de ti rebentam flores.
Só por dentro de ti a noite escuta
o que me sai, sem voz, do coração."
David Mourão-Ferreira -
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Por un beso nada más...
"Bésame con el beso de tu boca,
cariñosa mitad del alma mía:
un solo beso el corazón invoca,
que la dicha de dos... me mataría.
¡Un beso nada más! Ya su perfume
en mi alma derramándose la embriaga
y mi alma por tu beso se consume
y por mis labios impaciente vaga.
¡Júntese con la tuya! Ya no puedo
lejos tenerla de tus labios rojos...
¡Pronto... dame tus labios! ¡Tengo miedo
de ver tan cerca tus divinos ojos!
Hay un cielo, mujer en tus abrazos,
siento de dicha el corazón opreso...
¡Oh! ¡Sosténme en la vida de tus brazos
para que no me mates con tu beso!"
Manuel María Flores
(Nunca podría imaginar que por un beso, tú llegarías a cambiar así mi vida. Conocerte trastornó mi pensamiento...)
cariñosa mitad del alma mía:
un solo beso el corazón invoca,
que la dicha de dos... me mataría.
¡Un beso nada más! Ya su perfume
en mi alma derramándose la embriaga
y mi alma por tu beso se consume
y por mis labios impaciente vaga.
¡Júntese con la tuya! Ya no puedo
lejos tenerla de tus labios rojos...
¡Pronto... dame tus labios! ¡Tengo miedo
de ver tan cerca tus divinos ojos!
Hay un cielo, mujer en tus abrazos,
siento de dicha el corazón opreso...
¡Oh! ¡Sosténme en la vida de tus brazos
para que no me mates con tu beso!"
Manuel María Flores
(Nunca podría imaginar que por un beso, tú llegarías a cambiar así mi vida. Conocerte trastornó mi pensamiento...)
terça-feira, 6 de abril de 2010
Quase de nada místico
"Não, não deve ser nada este pulsar
de dentro: só um lento desejo
de dançar. E nem deve ter grande
significado este vapor dourado,
e invisível a olhares alheios:
só um pólen a meio, como de abelha
à espera de voar. E não é com certeza
relevante este brilhante aqui:
poeira de diamante que encontrei
pelo verso e por acaso, poema
muito breve e muito raso,
que (aproveitando) trago para ti."
de Às Vezes o Paraíso
Ana Luísa Amaral
Anos 90 e agora
Uma Antologia da Nova Poesia Portuguesa
edições quasi
quinta-feira, 1 de abril de 2010
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