"não sei
se o nevoeiro não abrir
como posso eu encontrar caminhos
por entre esses silvados
as valas não as sinto
nem os chocalhos dão sinais
não sei se o nevoeiro
que as árvores soltam-se do cinzento
só por momentos
o silêncio tapa-me a visão
não ouço o horizonte
posso ficar assim
parado sem medidas
flutuando entre o orvalho e a erva
silencioso e solto"
Henrique Ruivo
in branco azul ocre
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
I Dreamed a Dream
"I dreamed a dream in time gone by
When hopes were high and life worth living,
I dreamed that love would never die
I dreamed that God would be forgiving
Then I was young and unafraid,
When dreams were made and used and wasted
There was no ransom to be payed,
No song unsung, no wine untasted
But the tigers come at night,
With their voices soft as thunder,
As they tear your hope apart
As they turn your dreams to shame
And still I dreamed he'd come to me
And we would live the years together,
But there are dreams that cannot be
And there are storms we cannot weather
I had a dream my life would be
So different from this hell I'm living
So different now from what it seemed
Now life has killed the dream I dreamed"
domingo, 20 de dezembro de 2009
Não posso adiar o amor
"Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob as montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas
Não posso adiar este braço
que é uma arma de dois gumes amor e ódio
Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação
Não posso adiar o coração."
António Ramos Rosa
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob as montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas
Não posso adiar este braço
que é uma arma de dois gumes amor e ódio
Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação
Não posso adiar o coração."
António Ramos Rosa
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Memória/Memórias
"A memória é, assim como um album que nos restitui mais ou menos intactos os fragmentos da experiência" (François Pire)
"(...) Com o tempo, um princípio de entropia corrói a recordação, que fica como que roída pela traça, lacunar, se desafia e, in extremis,quando a queremos reconstituir passados tantos anos, só nos restam bocados incertos..."(Morin,1987. As grandes questões do nosso tempo
Ed. Notícias, pp. 17)
"Como todas as coisas do Universo, a memória sofre a degradação e a desintegração, o que se chama esquecimento (...) A diminuição da memória é ininterrupta. A própria memória tende a tornar-se lacunar, incorrecta, enganadora. Além disso, como vimos, sofre profundamente o efeito das forças de recalcamento, que expulsam a recordação incómoda, e das forças de transfiguração e mitologização, que legendarizam a recordação" (ibidem)
"Recordar é reconstruir, 'aprender no coração ou literalmente dar de novo ao coração'" (Cabral, 1998. Pensar a emoção, Ed. Fim de Século, pp. 193)
"Uma boa memória é útil; mas também o é a capacidade de esquecer" (Myers)
"(...) Com o tempo, um princípio de entropia corrói a recordação, que fica como que roída pela traça, lacunar, se desafia e, in extremis,quando a queremos reconstituir passados tantos anos, só nos restam bocados incertos..."(Morin,1987. As grandes questões do nosso tempo
Ed. Notícias, pp. 17)
"Como todas as coisas do Universo, a memória sofre a degradação e a desintegração, o que se chama esquecimento (...) A diminuição da memória é ininterrupta. A própria memória tende a tornar-se lacunar, incorrecta, enganadora. Além disso, como vimos, sofre profundamente o efeito das forças de recalcamento, que expulsam a recordação incómoda, e das forças de transfiguração e mitologização, que legendarizam a recordação" (ibidem)
"Recordar é reconstruir, 'aprender no coração ou literalmente dar de novo ao coração'" (Cabral, 1998. Pensar a emoção, Ed. Fim de Século, pp. 193)
"Uma boa memória é útil; mas também o é a capacidade de esquecer" (Myers)
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
domingo, 18 de outubro de 2009
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
"Quase não sei esperar o inesperado,
a rede que se parte e a outra rede
que se reparte: o não saber esperar
com a paciência antiga do silêncio
sentado mansamente ao nosso lado.
Quase não sei sonhar o amargo espanto
de estar aqui à porta de uma lua
que dá para um jardim que deu outrora
para um caminho que não finda nunca
tão pura e simplesmente ao fim da rua."
Maria Alberta Menéres in
Cem poemas portugueses no feminino.
a rede que se parte e a outra rede
que se reparte: o não saber esperar
com a paciência antiga do silêncio
sentado mansamente ao nosso lado.
Quase não sei sonhar o amargo espanto
de estar aqui à porta de uma lua
que dá para um jardim que deu outrora
para um caminho que não finda nunca
tão pura e simplesmente ao fim da rua."
Maria Alberta Menéres in
Cem poemas portugueses no feminino.
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Não sei se respondo ou se pergunto.
"Não sei se respondo ou se pergunto.
Sou uma voz que nasceu na penumbra do vazio.
Estou um pouco ébria e estou crescendo na pedra.
Não tenho a sabedoria do mel ou a do vinho.
De súbito ergo-me como uma torre de sombra fulgurante.
A minha ebriedade é a da sede e a da chama.
Com esta pequena centelha quero incendiar o silêncio.
O que eu amo não sei. Amo. Amo em total abandono.
Sinto a minha boca dentro das árvores e de uma oculta nascente.
Indecisa e ardente, algo ainda não é flor em mim.
Não estou perdida, estou entre o vento e o olvido.
Quero conhecer a minha nudez e ser o azul da presença.
Não sou a destruição cega nem a esperança impossível.
Sou alguém que espera ser aberto por uma palavra".
António Ramos Rosa
Sou uma voz que nasceu na penumbra do vazio.
Estou um pouco ébria e estou crescendo na pedra.
Não tenho a sabedoria do mel ou a do vinho.
De súbito ergo-me como uma torre de sombra fulgurante.
A minha ebriedade é a da sede e a da chama.
Com esta pequena centelha quero incendiar o silêncio.
O que eu amo não sei. Amo. Amo em total abandono.
Sinto a minha boca dentro das árvores e de uma oculta nascente.
Indecisa e ardente, algo ainda não é flor em mim.
Não estou perdida, estou entre o vento e o olvido.
Quero conhecer a minha nudez e ser o azul da presença.
Não sou a destruição cega nem a esperança impossível.
Sou alguém que espera ser aberto por uma palavra".
António Ramos Rosa
sábado, 29 de agosto de 2009
Sei de um rio
"Sei de um rio
sei de um rio
em que as únicas estrelas
nele sempre debruçadas
são as luzes da cidade
Sei de um rio
sei de um rio
rio onde a própria mentira
tem o sabor da verdade
sei de um rio
Meu amor dá-me os teus lábios
dá-me os lábios desse rio
que nasceu na minha sede
mas o sonho continua
E a minha boca até quando
ao separar-se da tua
vai repetindo e lembrando
sei de um rio
sei de um rio
Sei de um rio
até quando"
Pedro Homem de Melo
sei de um rio
em que as únicas estrelas
nele sempre debruçadas
são as luzes da cidade
Sei de um rio
sei de um rio
rio onde a própria mentira
tem o sabor da verdade
sei de um rio
Meu amor dá-me os teus lábios
dá-me os lábios desse rio
que nasceu na minha sede
mas o sonho continua
E a minha boca até quando
ao separar-se da tua
vai repetindo e lembrando
sei de um rio
sei de um rio
Sei de um rio
até quando"
Pedro Homem de Melo
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Aimons toujours! Aimons encore!...
"Aimons toujours! Aimons encore!
Quand l'amour s'en va, l'espoir fuit.
L'amour, c'est le cri de l'aurore,
L'amour c'est l'hymne de la nuit.
Ce que le flot dit aux rivages.
Ce que le vent dit aux vieux monts,
Ce que l'astre dit aux nuages,
C'est le mot ineffable: Aimons!
L'amour fait songer, vivre et croire.
Il a pou rechauffer le coeur,
Un rayon de plus que la gloire,
Et ce rayon c'est le bonheur!
Aime! qu'on les loue ou les blâme,
Toujours les grands coeurs aimeront:
Joins cette jeunesse de l'âme
A la jeunesse de ton front!
Aime, afin de charmer tes heures!
Afin qu'on voie en tes beaux yeux
Des voluptés intérieures
Le sourire mystérieux!
Aimons-nous toujours davantage!
Unissons-nous mieux chaque jour.
Les arbres croissent en feuillage;
Que notre âme croisse en amour!
Soyons le miroir et l'image!
Soyons la fleur et le parfum!
Les amants, qui, seuls sous l'ombrage,
Se sentent deux et ne sont qu'un!
Les poètes cherchent les belles.
La femme, ange aux chastes faveurs,
Aime à refraîchir sous les ailes
Ces grand fronts brûlants et rêveurs.
Venez à nous, beautés touchantes!
Viens à moi, toi, mon bien, ma loi!
Ange! viens à moi quand tu chantes,
Et, quand tu pleures, viens à moi!
Nous seuls comprenons vos extases.
Car notre esprit n'est point moqueur;
Car les poètes sont les vases
Où les femmes versent leur coeurs.
Moi qui ne cherche dans ce monde
Que la seule réalité,
Moi qui laisse fuir comme l'onde
Tout ce qui n'est que vanité.
Je préfère aux biens dont s'enivre
L'orgueil de sodat ou du roi,
L'ombre que tu fais sur mon livre
Quand ton front se penche sur moi.
Toute ambition allumée
Dans notre esprit, brasier subtil,
Tombe en cendre ou vole en fumée,
Et l'on se dit: "Qu'en reste-t-il?"
Tout plaisir, fleur à peine éclose
Dans notre avril sombre et terni,
S'effeuille et meurt, lis, myrte ou rose,
Et l'on se dit: "C'est donc fini!"
L'amour seul reste. O noble femme
Si tu veux dans ce vil séjour,
Garder ta foi, garder ton âme,
Garder ton Dieu, garder l'amour!
Conserve en ton coeur, sans rien craindre,
Dusses-tu pleurer et souffrir,
La flamme qui ne peut s'éteindre
Et la fleur qui ne peut mourir!"
Victor Hugo - Les Contemplations
quinta-feira, 30 de julho de 2009
BESOS
Abro um pouco o A
Beijo com vontade o M
Contorno bem o O
E faço cócegas ao R
Assim mostro o que sinto
Se te soletrar, direi:
A de Amor
M de muito Amor
O de obviamente Amor
R de repetido Amor
Se te desenhar, será com:
Um redondo Arco
Feito à Mão livre
Na mais linda Obra
Que me sai sem Rascunho
E pronto...
Sais sempre Tu
Sai sempre AMOR!
Besos
(Autor desconhecido)
Beijo com vontade o M
Contorno bem o O
E faço cócegas ao R
Assim mostro o que sinto
Se te soletrar, direi:
A de Amor
M de muito Amor
O de obviamente Amor
R de repetido Amor
Se te desenhar, será com:
Um redondo Arco
Feito à Mão livre
Na mais linda Obra
Que me sai sem Rascunho
E pronto...
Sais sempre Tu
Sai sempre AMOR!
Besos
(Autor desconhecido)
sábado, 25 de julho de 2009
quinta-feira, 23 de julho de 2009
quinta-feira, 16 de julho de 2009
Sofro de não te Ver
"Sofro
de não te ver,
de perder
os teus gestos
leves, lestos,
a tua fala
que o sorriso embala,
a tua alma
límpida, tão calma...
Sofro
de te perder,
durante dias que parecem meses,
durante meses que parecem anos...
Quem vem regar o meu jardim de enganos,
tratar das árvores de tenrinhos ramos?"
Saúl Dias, in "Sangue (Inéditos)"
de não te ver,
de perder
os teus gestos
leves, lestos,
a tua fala
que o sorriso embala,
a tua alma
límpida, tão calma...
Sofro
de te perder,
durante dias que parecem meses,
durante meses que parecem anos...
Quem vem regar o meu jardim de enganos,
tratar das árvores de tenrinhos ramos?"
Saúl Dias, in "Sangue (Inéditos)"
terça-feira, 7 de julho de 2009
Lo que necesito de ti
"No sabes como necesito tu voz;
necesito tus miradas
aquellas palabras que siempre me llenaban,
necesito tu paz interior;
necesito la luz de tus labios
!!! Ya no puedo... seguir así !!!
...Ya... No puedo
Mi mente no quiere pensar
no puede pensar nada más que en ti.
Necesito la flor de tus manos
aquella paciencia de todos tus actos
con aquella justicia que me inspiras
para lo que siempre fue mi espina
mi fuente de vida se ha secado
con la fuerza del olvido...
me estoy quemando;
aquello que necesito ya lo he encontrado
pero aun !!!Te sigo extrañando!!!"
(Mario Benedetti)
necesito tus miradas
aquellas palabras que siempre me llenaban,
necesito tu paz interior;
necesito la luz de tus labios
!!! Ya no puedo... seguir así !!!
...Ya... No puedo
Mi mente no quiere pensar
no puede pensar nada más que en ti.
Necesito la flor de tus manos
aquella paciencia de todos tus actos
con aquella justicia que me inspiras
para lo que siempre fue mi espina
mi fuente de vida se ha secado
con la fuerza del olvido...
me estoy quemando;
aquello que necesito ya lo he encontrado
pero aun !!!Te sigo extrañando!!!"
(Mario Benedetti)
Te quiero
"Mi corazón no ha dormido
a latido sin parar
es así como te quiero
todo el tiempo sin cesar
Tu sonrisa invade mi alma
tu imagen conmigo está,
demuéstrame que me quieres,
porque es muy dificil vivir
amando con quien no siente amor
El amor es como el viento
no se ve pero se siente
quisiera estar en tu mente
pues sin ti siento la muerte
Al estar siempre a tu lado
tu calor hechiza mi alma
tus brazos me hacen soñar
y pienso que tu me amas.
Quiero pedirte una cosa
que alimentes este amor
para yo seguir viviendo
teniendo esta ilusión"
(Maria Luz Novoa O )
a latido sin parar
es así como te quiero
todo el tiempo sin cesar
Tu sonrisa invade mi alma
tu imagen conmigo está,
demuéstrame que me quieres,
porque es muy dificil vivir
amando con quien no siente amor
El amor es como el viento
no se ve pero se siente
quisiera estar en tu mente
pues sin ti siento la muerte
Al estar siempre a tu lado
tu calor hechiza mi alma
tus brazos me hacen soñar
y pienso que tu me amas.
Quiero pedirte una cosa
que alimentes este amor
para yo seguir viviendo
teniendo esta ilusión"
(Maria Luz Novoa O )
domingo, 21 de junho de 2009
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Nunca Me Esqueci De Ti
"Bato a porta devagar,
Olho só mais uma vez
Como é tão bonita esta avenida...
É o cais. Flor do cais:
Águas mansas e a nudez
Frágil como as asas de uma vida
É o riso, é a lágrima
A expressão incontrolada
Não podia ser de outra maneira
É a sorte, é a sina
Uma mão cheia de nada
E o mundo à cabeceira
Mas nunca
Me esqueci de ti
Tudo muda, tudo parte
Tudo tem o seu avesso.
Frágil a memória da paixão...
É a lua. Fim da tarde
É a brisa onde adormeço
Quente como a tua mão
Mas nunca
Me esqueci de ti
Eu nunca
Me esqueci de ti
Não, nunca me esqueci de ti
E eu nunca me esqueci de ti"
Rui Veloso
Olho só mais uma vez
Como é tão bonita esta avenida...
É o cais. Flor do cais:
Águas mansas e a nudez
Frágil como as asas de uma vida
É o riso, é a lágrima
A expressão incontrolada
Não podia ser de outra maneira
É a sorte, é a sina
Uma mão cheia de nada
E o mundo à cabeceira
Mas nunca
Me esqueci de ti
Tudo muda, tudo parte
Tudo tem o seu avesso.
Frágil a memória da paixão...
É a lua. Fim da tarde
É a brisa onde adormeço
Quente como a tua mão
Mas nunca
Me esqueci de ti
Eu nunca
Me esqueci de ti
Não, nunca me esqueci de ti
E eu nunca me esqueci de ti"
Rui Veloso
quinta-feira, 4 de junho de 2009
As velas da memória
"Há nos silvos que as manhãs me trazem
chaminés que se desmoronam:
são a infância e a praia os sonhos de partida
Abrir esse portão junto ao vento que a vida
aquém ou além desta me abre?
Em que outro mundo ouvi o rouxinol
tão leve que o voo lhe aumentava as asas?
Onde adiava ele a morte contra os dias
essa primeira morte?
Vinham núpcias sem conto na inconcebível voz
Que plenitude aquela: cantar
como quem não tivesse nenhum pensamento.
Quem me deixou de novo aqui sentado à sombra
deste mês de junho? Como te chamas tu
que me enfunas as velas da memória ventilando: «aquela vez...»?
Quando aonde foi em que país?
Que vento faz quebrar nas costas destes dias
as ondas de uma antiga música que ouvida
obriga a recuar a noite prometida
em círculos quebrados para além das dunas
fazendo regressar rebanhos de alegrias
abrindo em plena tarde um espaço ao amor?
Que morte vem matar a lábil curva da dor?
Que dor me faz doer de não ter mais que morrer?
E ouve-se o silêncio descer pelas vertentes da tarde
chegar à boca da noite e responder"
Ruy Belo
Aquele Grande Rio Eufrates
chaminés que se desmoronam:
são a infância e a praia os sonhos de partida
Abrir esse portão junto ao vento que a vida
aquém ou além desta me abre?
Em que outro mundo ouvi o rouxinol
tão leve que o voo lhe aumentava as asas?
Onde adiava ele a morte contra os dias
essa primeira morte?
Vinham núpcias sem conto na inconcebível voz
Que plenitude aquela: cantar
como quem não tivesse nenhum pensamento.
Quem me deixou de novo aqui sentado à sombra
deste mês de junho? Como te chamas tu
que me enfunas as velas da memória ventilando: «aquela vez...»?
Quando aonde foi em que país?
Que vento faz quebrar nas costas destes dias
as ondas de uma antiga música que ouvida
obriga a recuar a noite prometida
em círculos quebrados para além das dunas
fazendo regressar rebanhos de alegrias
abrindo em plena tarde um espaço ao amor?
Que morte vem matar a lábil curva da dor?
Que dor me faz doer de não ter mais que morrer?
E ouve-se o silêncio descer pelas vertentes da tarde
chegar à boca da noite e responder"
Ruy Belo
Aquele Grande Rio Eufrates
domingo, 31 de maio de 2009
E por vezes
"E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes
encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes
ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos
E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se evolam tantos anos"
David Mourão-Ferreira
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes
encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes
ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos
E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se evolam tantos anos"
David Mourão-Ferreira
segunda-feira, 25 de maio de 2009
quinta-feira, 7 de maio de 2009
No sé
"No sé adónde vas, ni por qué caminos
te lleva el destino que nunca acierto
a descubrir la ruta de tus pasos,
la senda que conduce a tu universo.
No sé lo que siento, o qué me pasa,
que a veces la noche me desborda,
el frío de la muerte entra en mis huesos
y se adueña de mi alma de gaviota.
No sé de qué manera, ni sé dónde,
ni sé cómo, ni sé cuando empezó
a trepar la amargura por mis venas
y a herirme la negrura del carbón.
No sé por qué el amor izó sus velas
más audaces si sabía que el flujo
del viento y la marea de la vida
te arrastrarían lejos de mi mundo.
No sé con qué ternura vestirán
tu cuerpo mis abrazos si algún día
las olas derramaran en mis playas
la espuma de tu loca fantasía.
No sé qué, ni sé como, ni sé cuando,
ni dónde, ni por qué, ni de qué modo
se abrirá la serpentina del tiempo
y pondrá al descubierto tus tesoros.
No lo sé, pero te espero aquí, anclado
en la amarga bahía del insomnio."
Fernando L. Pérez Poza - escritor pontevedrés.
te lleva el destino que nunca acierto
a descubrir la ruta de tus pasos,
la senda que conduce a tu universo.
No sé lo que siento, o qué me pasa,
que a veces la noche me desborda,
el frío de la muerte entra en mis huesos
y se adueña de mi alma de gaviota.
No sé de qué manera, ni sé dónde,
ni sé cómo, ni sé cuando empezó
a trepar la amargura por mis venas
y a herirme la negrura del carbón.
No sé por qué el amor izó sus velas
más audaces si sabía que el flujo
del viento y la marea de la vida
te arrastrarían lejos de mi mundo.
No sé con qué ternura vestirán
tu cuerpo mis abrazos si algún día
las olas derramaran en mis playas
la espuma de tu loca fantasía.
No sé qué, ni sé como, ni sé cuando,
ni dónde, ni por qué, ni de qué modo
se abrirá la serpentina del tiempo
y pondrá al descubierto tus tesoros.
No lo sé, pero te espero aquí, anclado
en la amarga bahía del insomnio."
Fernando L. Pérez Poza - escritor pontevedrés.
domingo, 3 de maio de 2009
MÃE (Confidências)
Mãe! dói-me o peito. Bati com o peito contra a estátua que tem em cima o verbo ganhar. Ainda não sei como foi. Eu ia tão contente! eu ia a pensar em ti e no verbo saber e no verbo ganhar. Estava tudo a ser tão fácil! Já estava a imaginar a tua alegria quando eu voltasse a casa com o verbo saber e o verbo ganhar, um em cada mão!
Dói-me muito o peito, Mãe! passa a tua mão pela minha cabeça!
Mãe! Já não volto à cidade sem ir contigo! para a cidade ser bonita. Irmos os dois juntos de braço-dado, e andarmos assim a passear; para ver como tudo está posto na cidade por causa de ti e de mim e por causa dos outros que andam de braço-dado.
Mãe! dize essa metade que tu sabes do que é necessário saber, dize essa metade que tu sabes tão bem! para eu pensar na outra metade.
Se não houvesse senão homens e saltimbancos eu ia buscar a outra metade, mas os saltimbancos estão vestidos como os homens, e os homens estão vestidos como os saltimbancos, ambos estão vestidos de uma só maneira, não sei quais são os homens nem os saltimbancos, eles também não sabem, - não há senão losangos de arlequim!
Mãe! quando eu vinha para casa a multidão ia na outra direcção. Tive de me fazer ainda mais pequeno e escorregadio, para não ir na onda.
Perguntei para onde iam tão unidos, assim, com tanto balanço. Responderam-me: Para diante! para a frente!
Fiquei a pensar na multidão.
O meu anjo da guarda disse-me: Pronto! A multidão já passou, levou um quarto de hora a passar. A multidão não é senão aquilo que levou um quarto de hora a passar. Pronto! Já está vista! anda daí!
O meu anjo da guarda está sempre a dizer-me: De que estás à espera? Vá, anda! Começa já! Começa já a cuidar da tua presença!
Não sei o que o meu anjo da guarda quer que eu adivinhe em tais palavras.
Outras vezes, o meu anjo da guarda pede-me que seja eu o anjo da guarda dele.
Mãe!
Hoje acordei todo virado para diante. Assim, como tu compreendes, Mãe!
Vi as coisas do ar que havia, as coisas que estavam focadas com o ar de hoje. As lembranças já estão inteiras, muito poucos os minutos falsos.
Fiz todas as horas do sol e as da sombra. Ao chegar a noite estive de acordo com o Sol no que houve desde manhã até ser bastante luz por hoje. Depois veio o sono. E o sono chegou a horas. Antes do sono ainda houve uma imagem - um leão a dormir!
Na verdade, não há sono mais bem ganho do que o de um leão a dormir com restos de sangue no focinho, como os leões de pedra que há nas escadarias por onde se sobe depois da batalha!
Almada Negreiros in 4 poesias - Obras Completas
Editorial Estampa
Dói-me muito o peito, Mãe! passa a tua mão pela minha cabeça!
Mãe! Já não volto à cidade sem ir contigo! para a cidade ser bonita. Irmos os dois juntos de braço-dado, e andarmos assim a passear; para ver como tudo está posto na cidade por causa de ti e de mim e por causa dos outros que andam de braço-dado.
Mãe! dize essa metade que tu sabes do que é necessário saber, dize essa metade que tu sabes tão bem! para eu pensar na outra metade.
Se não houvesse senão homens e saltimbancos eu ia buscar a outra metade, mas os saltimbancos estão vestidos como os homens, e os homens estão vestidos como os saltimbancos, ambos estão vestidos de uma só maneira, não sei quais são os homens nem os saltimbancos, eles também não sabem, - não há senão losangos de arlequim!
Mãe! quando eu vinha para casa a multidão ia na outra direcção. Tive de me fazer ainda mais pequeno e escorregadio, para não ir na onda.
Perguntei para onde iam tão unidos, assim, com tanto balanço. Responderam-me: Para diante! para a frente!
Fiquei a pensar na multidão.
O meu anjo da guarda disse-me: Pronto! A multidão já passou, levou um quarto de hora a passar. A multidão não é senão aquilo que levou um quarto de hora a passar. Pronto! Já está vista! anda daí!
O meu anjo da guarda está sempre a dizer-me: De que estás à espera? Vá, anda! Começa já! Começa já a cuidar da tua presença!
Não sei o que o meu anjo da guarda quer que eu adivinhe em tais palavras.
Outras vezes, o meu anjo da guarda pede-me que seja eu o anjo da guarda dele.
Mãe!
Hoje acordei todo virado para diante. Assim, como tu compreendes, Mãe!
Vi as coisas do ar que havia, as coisas que estavam focadas com o ar de hoje. As lembranças já estão inteiras, muito poucos os minutos falsos.
Fiz todas as horas do sol e as da sombra. Ao chegar a noite estive de acordo com o Sol no que houve desde manhã até ser bastante luz por hoje. Depois veio o sono. E o sono chegou a horas. Antes do sono ainda houve uma imagem - um leão a dormir!
Na verdade, não há sono mais bem ganho do que o de um leão a dormir com restos de sangue no focinho, como os leões de pedra que há nas escadarias por onde se sobe depois da batalha!
Almada Negreiros in 4 poesias - Obras Completas
Editorial Estampa
ACERCA DO HOMEM E DA MULHER
Lembro-me de uma oleografia que havia em minha casa. A oleografia estava cheia de amarelo do Deserto. O amarelo do Deserto era mais comprido do que a vida de um homem se não fosse o galope do cavalo onde o árabe rapta a menina loira.
Na oleografia havia uma palmeira. A palmeira era tão pequena como a esmeralda do anel da menina loira. A palmeira era assim tão pequena porque estava muitíssimo longe.
Era em direcção à palmeira que ia a correr o cavalo.
Havia outra oleografia quando já tinham chegado à sombra da palmeira. O cavalo estava como morto por terra. O árabe, esse, ainda nunca tinha estado cansado - tinha a menina loira nos braços, como a esmeralda estava no anel.
Eram três as oleografias. Na terceira oleografia estava sozinha a menina loira a dar de mamar a um menino verdadeiro.
Almada Negreiros in 4 poesias - Obras Completas
Editorial Estampa
Na oleografia havia uma palmeira. A palmeira era tão pequena como a esmeralda do anel da menina loira. A palmeira era assim tão pequena porque estava muitíssimo longe.
Era em direcção à palmeira que ia a correr o cavalo.
Havia outra oleografia quando já tinham chegado à sombra da palmeira. O cavalo estava como morto por terra. O árabe, esse, ainda nunca tinha estado cansado - tinha a menina loira nos braços, como a esmeralda estava no anel.
Eram três as oleografias. Na terceira oleografia estava sozinha a menina loira a dar de mamar a um menino verdadeiro.
Almada Negreiros in 4 poesias - Obras Completas
Editorial Estampa
CONFIDÊNCIAS
Mãe! a oleografia está a entornar o amarelo do Deserto por cima da minha vida. O amarelo do Deserto é mais comprido do que um dia todo!
Mãe! eu quero ser o árabe! Eu queria raptar a menina loira! Eu queria saber raptar.
Dá-me um cavalo, Mãe! Até à palmeira verde esmeralda! E o anel?!
A minha cabeça amolece ao sol sobre a areia movediça! do Deserto! A minha cabeça está mole como a minha almofada!
Há uns sinais dentro da minha cabeça, como os sinais do Egipcío, como os sinais do Fenício. Os sinais destes já têm antecedentes e eu ainda vou para a vida.
Não há muros para que haja estrada! Não há muros para pôr cartazes! Não está a mão de tinta preta a apontar - por aqui!
Só há sombra do sol nas laranjeiras da outra margem, e todas as noites o sono chega roubado!
Mãe! As estrelas estão a mentir. Luzem quando mentem. Mentem quando luzem. Estão a luzir, ou mentem?
Já ia a cuspir para o céu!
Mãe! a minha estrela é doida! Coube-me nas sortes a Estrela-doida!
Mãe! dá-me um cavalo! Eu já sou o galope! Há uma palmeira, Mãe! O que quer dizer um anel? Tem uma esmeralda.
Mâe! eu quero ser as três oleografias!
Mãe! eu quero ser o árabe! Eu queria raptar a menina loira! Eu queria saber raptar.
Dá-me um cavalo, Mãe! Até à palmeira verde esmeralda! E o anel?!
A minha cabeça amolece ao sol sobre a areia movediça! do Deserto! A minha cabeça está mole como a minha almofada!
Há uns sinais dentro da minha cabeça, como os sinais do Egipcío, como os sinais do Fenício. Os sinais destes já têm antecedentes e eu ainda vou para a vida.
Não há muros para que haja estrada! Não há muros para pôr cartazes! Não está a mão de tinta preta a apontar - por aqui!
Só há sombra do sol nas laranjeiras da outra margem, e todas as noites o sono chega roubado!
Mãe! As estrelas estão a mentir. Luzem quando mentem. Mentem quando luzem. Estão a luzir, ou mentem?
Já ia a cuspir para o céu!
Mãe! a minha estrela é doida! Coube-me nas sortes a Estrela-doida!
Mãe! dá-me um cavalo! Eu já sou o galope! Há uma palmeira, Mãe! O que quer dizer um anel? Tem uma esmeralda.
Mâe! eu quero ser as três oleografias!
*
Mãe!
Em cima das estátuas está o verbo ganhar, Mãe! será para mim?
Quando passo pelas estátuas fico parado. A olhar para cima das estátuas. Fico parado a subir. Não sei quem me agarra para me levantar no ar. Agarram-me por debaixo dos braços para me levantar ao ar. Para eu ver o verbo ganhar em cima das estátuas.
*
Mãe! eu não sei nada! Eu não me lembro de nada!
Ah! lembro-me de ter ajudado a levar pedras para as pirâmides do Egipto!
Também me lembro de me ter chamado José, antigamente, com meus irmãos e uma mulher!
Mãe!
Estou a lembrar-me! Tu já foste a menina loira! Eu já fui menino verdadeiro a quem tu davas de mamar! Eu já estive contigo na terceira oleografia!
Lembro-me exactamente! Quando tu me beijavas, o Sol não doía tanto na minha pele!
Mãe!
Estou a lembra-me!
E as tardes quando íamos todos juntos soltar palavras no cais e ver chegar mais laranjas!
Outras vezes juntávamo-nos na praia para nadar melhor do que os outros e deixar o sol queimar quem mais merecesse. Já as laranjas estavam contentes com o que chegasse primeiro! O melhor jovem ganhava a melhor rapariga. Os outros sabiam aquela que tinham ganhado.
Eu tinha ganho a minha.
De uma vez, quando deixávamos o cais, entornou-se o cesto das tangerinas. Foi a alegria! E uma das raparigas pôs-se a cantar o sucedido às tangerinas a rolar para o mar:
Tam
tam-tam
tanque
estanque
tangerina bola
tangerina bóia
tangerina ina
tangerininha
pacote roto
batuque nu
quintal da nora
e o dique
e o Duque
e o aqueduto
do Cuco
Rei Carmim
e tamarindos
e amarelos
de Mahomet
ali
e lá
e acolá
..
Almada Negreiros in 4 poesias - Obras Completas
Editoral Estampa
O LIVRO
*****
Comprei um livro de filosofia. Filosofia é a ciência que trata da vida era justamente do que eu necessitava - pôr `ciência na minha vida.Li o livro de filosofia, não ganhei nada, Mãe! não ganhei nada.
Disseram-me que era necessário estar já iniciado, ora eu só tenho uma iniciação, é esta de ter sido posto neste mundo à imagem e semelhança de Deus. Não basta?
*
Imaginava eu que havia tratados da vida das pessoas, como há tratados da vida das plantas, com tudo tão bem explicado, assim parecidos com o tratamento que há para os animais domésticos, não é? Como os cavalos tão bem feitos que há!
Imaginava eu que havia um livro para as pessoas, como há hóstias para cuidar da febre. Um livro com tanta certeza como uma hóstia. Um livro pequenino, com duas páginas como uma hóstia. Um livro que dissesse tudo, claro e depressa, como um cartaz, com a morada e o dia.
*
Não achas, Mãe! Por exemplo. Há um cão vadio, sujo e com fome, cuida-se deste cão e ele deixa de ser vadio, deixa de estar sujo e deixa de ter fome. Até as crianças já lhe fazem festas.
Cuidaram do cão porque o cão não sabe cuidar de si - não saber cuidar de si é ser cão.
Ora eu não queria que cuidassem de mim, mas gostava que me ajudassem, para eu não estar assim, para que fosse eu o dono de mim, para que os que me vissem dissessem: Que bem que aquele soube cuidar de si!
*
Eu queria que os outros dissessem de mim: Olha um homem! Como se diz: Olha um cão! quando passa um cão; como se diz: Olha uma árvore! quando há uma árvore. Assim inteiro; sem adjectivos, só de uma peça: Um homem!
*
Mas eu andei a procurar por todas as vidas uma para copiar e nenhuma era para copiar.
Como o livro, as pessoas tinham princípio, meio e fim. A princípio o livro chamava-me, no meio o livro deu-me a mão, no fim fiquei com a mão suada do livro me ter estendido a mão.
Talvez que nos outros livros... mas os títulos dos livros são como os nomes das pessoas - não quer dizer nada, é só para não se confundir.
*
Na montra estava um livro chamado «O Leal Conselheiro». Escrito por um Rei dos Portugueses! Escrito de uma só maneira para todas as espécies de seus vassalos!
Bendito homem que foi na verdade Rei! O Mestre que quer que eu seja Mestre!
Eu acho que todos os livros deviam chamar-se assim. «O Leal Conselheiro»! Não achas, Mãe!
O Mestre escreveu o que sabia - por isso ele foi Mestre. As palavras tornaram presentes como o Mestre fazia atenção. Estas palavras ficaram escritas por causa dos outros também. Os outros aprendiam a ler para chegarem a Mestres - era com esta intenção que se aprendia a ler antigamente.
*
Sonhei com um país onde todos chegavam a Mestres. Começava cada qual por fazer a caneta e o aparo com que se punha à escuta do universo; em seguida, fabricava desde a matéria-prima o papel onde ia assentando as confidências que recebia directamente do universo; depois, descia até ao fundo dos rochedos por causa da tinta negra dos chocos; gravava letra por letra o tipo com que compunha as suas palavras; e arrancava da árvore a prensa onde apertava com segurança as descobertas para irem ter com os outros. Era assim que neste país todos chegavam a Mestres. Era assim que os Mestres iam escrevendo as frases que hão-de salvar a humanidade.
Almada Negreiros in 4 poesias - Obras Completas
Editorial Estampa
quarta-feira, 22 de abril de 2009
SOL DA MEIA-NOITE
"Sinto frio e está sol
sinto saudades
lembranças do futuro.
Criei o meu próprio veneno
e morro-me
sinto saudades
e está frio
e não há vento que me leve
até ti
Está frio.
Vejo
e o meu pensamento
perde-se em sonhos de sonhos
Compreendo o nada de mim
Não.
Não vou virar a página do livro
que nunca li
do livro que nunca abri."
(Raferial)
sinto saudades
lembranças do futuro.
Criei o meu próprio veneno
e morro-me
sinto saudades
e está frio
e não há vento que me leve
até ti
Está frio.
Vejo
e o meu pensamento
perde-se em sonhos de sonhos
Compreendo o nada de mim
Não.
Não vou virar a página do livro
que nunca li
do livro que nunca abri."
(Raferial)
sábado, 11 de abril de 2009
domingo, 5 de abril de 2009
Beijo de uma Rosa
Kiss From a Rose (tradução)
"Costumava existir uma torre cinza sozinha no mar.
Você se tornou a luz no meu lado escuro.
O amor me lembrou uma droga, me eleva o bastante para curar
Mas você sabia, que quando neva os meus olhos se tornam maiores,
e a luz q vc emite pode ser vista...
Querida, Eu comparo você ao beijo de uma rosa na sepultura
Quanto mais eu tenho você...Mais estranho parece
E agora que a sua rosa desabrochou
A luz acerta a escuridão na sepultura
Existe tanta coisa que um homem pode dizer a você, tanto que ele pode dizer
Você me lembra, meu poder, meu prazer, minha dor...
Querida!!! Para mim você é como um velho vício que eu não posso negar...
Você não me dirá se isso eh saudavel, querida?
Mas você sabia, que quando neva os meus olhos se tornam maiores,
e a luz que voce emite pode ser vista...
Querida, Eu comparo você ao beijo de uma rosa na sepultura
Quanto mais eu tenho você...Mais estranho parece
E agora que a sua rosa desabrochou
A luz acerta a escuridão na sepultura
Eu tenho sido beijado por uma rosa sobre a sepultura.
Eu tenho sido beijado por uma rosa (na sepultura).
..(Eu deveria cair, deixar tudo isso ir embora)
Tenho sido beijado por uma rosa na sepultura.
Existe tanta coisa que um homem pode dizer a você, tanto que ele pode dizer
Você me lembra, Meu poder, meu prazer, minha dor.
Para mim você é como um velho vício que eu não posso negar...
Você não me dirá é isso eh saudavel, querida?
Mas você sabia, que quando neva, Meus olhos se tornam maiores e,
e a luz que voce emite pode ser vista...
QUerida, Eu comparo você ao beijo de uma rosa na sepultura
Tenho sido, beijado por uma rosa na sepultura.
Quanto mais eu tenho de você...
Mais estranho me sinto
Agora que sua rosa desabrochou.
A luz acerta a escuridão nas cinzas
Agora que sua rosa desabrochou.
A luz acerta a escuridão nas cinzas"
Katherine Jenkins
"Costumava existir uma torre cinza sozinha no mar.
Você se tornou a luz no meu lado escuro.
O amor me lembrou uma droga, me eleva o bastante para curar
Mas você sabia, que quando neva os meus olhos se tornam maiores,
e a luz q vc emite pode ser vista...
Querida, Eu comparo você ao beijo de uma rosa na sepultura
Quanto mais eu tenho você...Mais estranho parece
E agora que a sua rosa desabrochou
A luz acerta a escuridão na sepultura
Existe tanta coisa que um homem pode dizer a você, tanto que ele pode dizer
Você me lembra, meu poder, meu prazer, minha dor...
Querida!!! Para mim você é como um velho vício que eu não posso negar...
Você não me dirá se isso eh saudavel, querida?
Mas você sabia, que quando neva os meus olhos se tornam maiores,
e a luz que voce emite pode ser vista...
Querida, Eu comparo você ao beijo de uma rosa na sepultura
Quanto mais eu tenho você...Mais estranho parece
E agora que a sua rosa desabrochou
A luz acerta a escuridão na sepultura
Eu tenho sido beijado por uma rosa sobre a sepultura.
Eu tenho sido beijado por uma rosa (na sepultura).
..(Eu deveria cair, deixar tudo isso ir embora)
Tenho sido beijado por uma rosa na sepultura.
Existe tanta coisa que um homem pode dizer a você, tanto que ele pode dizer
Você me lembra, Meu poder, meu prazer, minha dor.
Para mim você é como um velho vício que eu não posso negar...
Você não me dirá é isso eh saudavel, querida?
Mas você sabia, que quando neva, Meus olhos se tornam maiores e,
e a luz que voce emite pode ser vista...
QUerida, Eu comparo você ao beijo de uma rosa na sepultura
Tenho sido, beijado por uma rosa na sepultura.
Quanto mais eu tenho de você...
Mais estranho me sinto
Agora que sua rosa desabrochou.
A luz acerta a escuridão nas cinzas
Agora que sua rosa desabrochou.
A luz acerta a escuridão nas cinzas"
Katherine Jenkins
domingo, 29 de março de 2009
Domingo e nós
«"O que é que você vai fazer domingo à tarde?"
Por que é que você não vai sair comigo?
Vem passar a tarde comigo
vamos passear de mão dada,
os olhos enroscados nos olhos
e os lábios carentes de beijos
vão afogar-se em mil desejos
e a tarde será noite
e a noite será dia
e o dia será a vida
e sempre assim
mergulhados um no outro
seremos felizes...
beijos e beijos...
"beija-me, beija-me mil vezes..."
E sabes que a esta hora
e na hora anterior
e na posterior
eu penso em ti
e sempre.
"beija-me mil vezes, mil vezes mais..."»
Rouxinol (29.03.2009 - 18:02)
Por que é que você não vai sair comigo?
Vem passar a tarde comigo
vamos passear de mão dada,
os olhos enroscados nos olhos
e os lábios carentes de beijos
vão afogar-se em mil desejos
e a tarde será noite
e a noite será dia
e o dia será a vida
e sempre assim
mergulhados um no outro
seremos felizes...
beijos e beijos...
"beija-me, beija-me mil vezes..."
E sabes que a esta hora
e na hora anterior
e na posterior
eu penso em ti
e sempre.
"beija-me mil vezes, mil vezes mais..."»
Rouxinol (29.03.2009 - 18:02)
sexta-feira, 27 de março de 2009
domingo, 22 de março de 2009
SE TU VIESSES VER-ME...
Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços...
Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abraços...
Os teus beijos... a tua mão na minha...
Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri
E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti...
Florbela Espanca in Sonetos
Livraria Tavares Martins
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços...
Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abraços...
Os teus beijos... a tua mão na minha...
Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri
E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti...
Florbela Espanca in Sonetos
Livraria Tavares Martins
FANATISMO
Minh'alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!
Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!
«Tudo no mundo é frágil, tudo passa...»
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!
E, olhos postos em ti, digo de rastos:
«Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: Princípio e Fim!...»
Florbela Espanca in Sonetos
Livraria Tavares Martins
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!
Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!
«Tudo no mundo é frágil, tudo passa...»
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!
E, olhos postos em ti, digo de rastos:
«Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: Princípio e Fim!...»
Florbela Espanca in Sonetos
Livraria Tavares Martins
FUMO
Longe de ti são ermos os caminhos
Longe de ti não há luar nem rosas,
Longe de ti há noites silenciosas,
Há dias sem calor, beirais sem ninhos!
Meus olhos são dois velhos pobrezinhos
Perdidos pelas noites invernosas...
Abertos, sonham mãos cariciosas,
Tuas mãos doces, plenas de carinhos
Os dias são Outonos: choram... choram...
Há crisântemos roxos que decoram...
Há murmúrios dolentes de segredos...
Invoco o nosso sonho! Estendo os braços!
E ele é, ó meu Amor, pelos espaços,
Fumo leve que foge entre meus dedos!...
Florbela Espanca in Sonetos
Livraria Tavares Martins
Longe de ti não há luar nem rosas,
Longe de ti há noites silenciosas,
Há dias sem calor, beirais sem ninhos!
Meus olhos são dois velhos pobrezinhos
Perdidos pelas noites invernosas...
Abertos, sonham mãos cariciosas,
Tuas mãos doces, plenas de carinhos
Os dias são Outonos: choram... choram...
Há crisântemos roxos que decoram...
Há murmúrios dolentes de segredos...
Invoco o nosso sonho! Estendo os braços!
E ele é, ó meu Amor, pelos espaços,
Fumo leve que foge entre meus dedos!...
Florbela Espanca in Sonetos
Livraria Tavares Martins
Tu és poesia
"Fui a Marte.
Depois parei na Lua
e ali fiquei a ver-te,
dentro do meu coração.
Depois perdi o avião
que me traria de regresso à terra.
Vim no seguinte
mas esse não era directo.
Passou primeiro por Vénus
e por isso demorou.
Agora vou preparar-me
para dizer-te poesia.
Tu és poesia..."
Rouxinol (21.03.2009 - 22:55)
Depois parei na Lua
e ali fiquei a ver-te,
dentro do meu coração.
Depois perdi o avião
que me traria de regresso à terra.
Vim no seguinte
mas esse não era directo.
Passou primeiro por Vénus
e por isso demorou.
Agora vou preparar-me
para dizer-te poesia.
Tu és poesia..."
Rouxinol (21.03.2009 - 22:55)
sábado, 21 de março de 2009
terça-feira, 10 de março de 2009
Tu estás aqui
"Estás aqui comigo à sombra do sol
escrevo e oiço certos ruídos domésticos
e a luz chega-me humildemente pela janela
e dói-me um braço e sei que sou o pior aspecto do que sou
Estás aqui comigo e sou sumamente quotidiano
e tudo o que faço ou sinto como que me veste de um pijama
que uso para ser também isto este bicho
de hábitos manias segredos defeitos quase todos desfeitos
quando depois lá fora na vida profissional ou social só sou um nome e sabem
o que sei o
que faço ou então sou eu que julgo que o sabem
e sou amável selecciono cuidadosamente os gestos e escolho as palavras
e sei que afinal posso ser isso talvez porque aqui sentado dentro de casa sou
outra coisa
esta coisa que escreve e tem uma nódoa na camisa e só tem de exterior
a manifestação desta dor neste braço que afecta tudo o que faço
bem entendido o que faço com este braço
Estás aqui comigo e à volta são as paredes
e posso passar de sala para sala a pensar noutra coisa
e dizer aqui é a sala de estar aqui é o quarto aqui é a casa de banho
e no fundo escolher cada uma das divisões segundo o que tenho a fazer
Estás aqui comigo e sei que só sou este corpo castigado
passado nas pernas de sala em sala. Sou só estas salas estas paredes
esta profunda vergonha de o ser e não ser apenas a outra coisa
essa coisa que sou na estrada onde não estou à sombra do sol
Estás aqui e sinto-me absolutamente indefeso
diante dos dias. Que ninguém conheça este meu nome
este meu verdadeiro nome depois talvez encoberto noutro
nome embora no mesmo nome este nome
de terra de dor de paredes este nome doméstico
Afinal fui isto nada mais do que isto
as outras coisas que fiz fi-Ias para não ser isto ou dissimular isto
a que somente não chamo merda porque ao nascer me deram outro nome
que não merda
e em princípio o nome de cada coisa serve para distinguir uma coisa das
outras coisas
Estás aqui comigo e tenho pena acredita de ser só isto
pena até mesmo de dizer que sou só isto como se fosse também outra coisa
uma coisa para além disto que não isto
Estás aqui comigo deixa-te estar aqui comigo
é das tuas mãos que saem alguns destes ruídos domésticos
mas até nos teus gestos domésticos tu és mais que os teus gestos domésticos
tu és em cada gesto todos os teus gestos
e neste momento eu sei eu sinto ao certo o que significam certas palavras como
a palavra paz
Deixa-te estar aqui perdoa que o tempo te fique na face na forma de rugas
perdoa pagares tão alto preço por estar aqui
perdoa eu revelar que há muito pagas tão alto preço por estar aqui
prossegue nos gestos não pares procura permanecer sempre presente
deixa docemente desvanecerem-se um por um os dias
e eu saber que aqui estás de maneira a poder dizer
sou isto é certo mas sei que tu estás aqui"
Ruy Belo, Toda a Terra Todos os Poemas
Assírio & Alvim 2000
escrevo e oiço certos ruídos domésticos
e a luz chega-me humildemente pela janela
e dói-me um braço e sei que sou o pior aspecto do que sou
Estás aqui comigo e sou sumamente quotidiano
e tudo o que faço ou sinto como que me veste de um pijama
que uso para ser também isto este bicho
de hábitos manias segredos defeitos quase todos desfeitos
quando depois lá fora na vida profissional ou social só sou um nome e sabem
o que sei o
que faço ou então sou eu que julgo que o sabem
e sou amável selecciono cuidadosamente os gestos e escolho as palavras
e sei que afinal posso ser isso talvez porque aqui sentado dentro de casa sou
outra coisa
esta coisa que escreve e tem uma nódoa na camisa e só tem de exterior
a manifestação desta dor neste braço que afecta tudo o que faço
bem entendido o que faço com este braço
Estás aqui comigo e à volta são as paredes
e posso passar de sala para sala a pensar noutra coisa
e dizer aqui é a sala de estar aqui é o quarto aqui é a casa de banho
e no fundo escolher cada uma das divisões segundo o que tenho a fazer
Estás aqui comigo e sei que só sou este corpo castigado
passado nas pernas de sala em sala. Sou só estas salas estas paredes
esta profunda vergonha de o ser e não ser apenas a outra coisa
essa coisa que sou na estrada onde não estou à sombra do sol
Estás aqui e sinto-me absolutamente indefeso
diante dos dias. Que ninguém conheça este meu nome
este meu verdadeiro nome depois talvez encoberto noutro
nome embora no mesmo nome este nome
de terra de dor de paredes este nome doméstico
Afinal fui isto nada mais do que isto
as outras coisas que fiz fi-Ias para não ser isto ou dissimular isto
a que somente não chamo merda porque ao nascer me deram outro nome
que não merda
e em princípio o nome de cada coisa serve para distinguir uma coisa das
outras coisas
Estás aqui comigo e tenho pena acredita de ser só isto
pena até mesmo de dizer que sou só isto como se fosse também outra coisa
uma coisa para além disto que não isto
Estás aqui comigo deixa-te estar aqui comigo
é das tuas mãos que saem alguns destes ruídos domésticos
mas até nos teus gestos domésticos tu és mais que os teus gestos domésticos
tu és em cada gesto todos os teus gestos
e neste momento eu sei eu sinto ao certo o que significam certas palavras como
a palavra paz
Deixa-te estar aqui perdoa que o tempo te fique na face na forma de rugas
perdoa pagares tão alto preço por estar aqui
perdoa eu revelar que há muito pagas tão alto preço por estar aqui
prossegue nos gestos não pares procura permanecer sempre presente
deixa docemente desvanecerem-se um por um os dias
e eu saber que aqui estás de maneira a poder dizer
sou isto é certo mas sei que tu estás aqui"
Ruy Belo, Toda a Terra Todos os Poemas
Assírio & Alvim 2000
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
Durmo ou não?
"Durmo ou não? Passam juntas em minha alma
Coisas da alma e da vida em confusão,
Nesta mistura atribulada e calma
Em que não sei se durmo ou não.
Sou dois seres e duas consciências
Como dois homens indo braço-dado.
Sonolento revolvo omnisciências,
Turbulentamente estagnado.
Mas, lento, vago, emerjo de meu dois.
Disperto. Enfim: sou um, na realidade.
Espreguiço-me. Estou bem... Porquê depois,
De quê, esta vaga saudade?"
Fernando Pessoa
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
Roseline
"Moi, je sais ta chanson
Roseline.
Tu chantais, tu pleurais
Roseline
Et la mer écoutait
Sans rien dire
La chanson de ton coeur
Roseline.
Une larme, un baiser
Une larme
Sur le sable est tombée...
Une larme
Douce et pure
Et plus belle qu'une étoile,
Sur le sable est tombée
Une larme.
Chante encore,
Pleure encore,
Roseline
Que c'est bon,
Que c'est doux,
Roseline
De chanter et de pleurer
Quand on aime.
De chanter et de pleurer
Roseline.
De chanter et de pleurer
Roseline.
Roseline"
(Chanson de Marie Laforêt)
Roseline.
Tu chantais, tu pleurais
Roseline
Et la mer écoutait
Sans rien dire
La chanson de ton coeur
Roseline.
Une larme, un baiser
Une larme
Sur le sable est tombée...
Une larme
Douce et pure
Et plus belle qu'une étoile,
Sur le sable est tombée
Une larme.
Chante encore,
Pleure encore,
Roseline
Que c'est bon,
Que c'est doux,
Roseline
De chanter et de pleurer
Quand on aime.
De chanter et de pleurer
Roseline.
De chanter et de pleurer
Roseline.
Roseline"
(Chanson de Marie Laforêt)
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Et Maintenant
"Et maintenant que vais-je faire
De tout ce temps que sera ma vie
De tous ces gens qui m'indiffèrent
Maintenant que tu es partie
Toutes ces nuits, pourquoi pour qui
Et ce matin qui revient pour rien
Ce cœur qui bat, pour qui, pourquoi
Qui bat trop fort, trop fort
Et maintenant que vais-je faire
Vers quel néant glissera ma vie
Tu m'as laissé la terre entière
Mais la terre sans toi c'est petit
Vous, mes amis, soyez gentils
Vous savez bien que l'on n'y peut rien
Même Paris Paris Paris crève d'ennui
Toutes ses rues me tuent
Et maintenant que vais-je faire
Je vais en rire pour ne plus pleurer
Je vais brûler des nuits entières
Au matin je te haïrai
Et puis un soir dans mon miroir
Je verrai bien la fin du chemin
Pas une fleur et pas de pleurs
Au moment de l'adieu
Je n'ai vraiment plus rien à faire
Je n'ai vraiment plus rien
Je n'ai vraiment plus rien à faire
Je n'ai vraiment plus rien
Rien
Rien"
cantada por Grégory Lemarchal
De tout ce temps que sera ma vie
De tous ces gens qui m'indiffèrent
Maintenant que tu es partie
Toutes ces nuits, pourquoi pour qui
Et ce matin qui revient pour rien
Ce cœur qui bat, pour qui, pourquoi
Qui bat trop fort, trop fort
Et maintenant que vais-je faire
Vers quel néant glissera ma vie
Tu m'as laissé la terre entière
Mais la terre sans toi c'est petit
Vous, mes amis, soyez gentils
Vous savez bien que l'on n'y peut rien
Même Paris Paris Paris crève d'ennui
Toutes ses rues me tuent
Et maintenant que vais-je faire
Je vais en rire pour ne plus pleurer
Je vais brûler des nuits entières
Au matin je te haïrai
Et puis un soir dans mon miroir
Je verrai bien la fin du chemin
Pas une fleur et pas de pleurs
Au moment de l'adieu
Je n'ai vraiment plus rien à faire
Je n'ai vraiment plus rien
Je n'ai vraiment plus rien à faire
Je n'ai vraiment plus rien
Rien
Rien"
cantada por Grégory Lemarchal
PÁLIDA E LOIRA
Morreu. Deitada no seu caixão estreito,
Pálida e loira, muito loira e fria,
O seu lábio tristíssimo sorria
Como num sonho virginal desfeito.
Lírio que murcha ao despontar do dia,
Foi descansar no derradeiro leito,
As mãos de neve erguidas sobre o peito,
Pálida e loira, muito loira e fria...
Tinha a cor da rainha das baladas
E das monjas antigas maceradas,
No pequenino esquife em que dormia...
Levou-a a Morte em sua garra adunca!
E eu nunca mais pude esquecê-la, nunca!
Pálida e loira, muito loira e fria...
António Feijó - Poesias Completas
Edições Caixotim
Pálida e loira, muito loira e fria,
O seu lábio tristíssimo sorria
Como num sonho virginal desfeito.
Lírio que murcha ao despontar do dia,
Foi descansar no derradeiro leito,
As mãos de neve erguidas sobre o peito,
Pálida e loira, muito loira e fria...
Tinha a cor da rainha das baladas
E das monjas antigas maceradas,
No pequenino esquife em que dormia...
Levou-a a Morte em sua garra adunca!
E eu nunca mais pude esquecê-la, nunca!
Pálida e loira, muito loira e fria...
António Feijó - Poesias Completas
Edições Caixotim
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
AS PÉROLAS
Abraçadas aos rochedos
Entre as algas e os corais,
Ouvindo estranhos segredos
No coro dos vendavais,
Nas grandes conchas prateadas
Vão-se as pérolas coalhar,
Como as lágrimas choradas
Pela Aurora, sobre o Mar...
***
Assim no mar do meu peito
Que imensa angústia devora,
Se acaso aparece a aurora
Do teu olhar satisfeito,
Esse límpido fulgor
Faz coalhar no coração
Com as lágrimas do Amor
As pérolas da Paixão!...
António Feijó (O poeta que morreu de amor) - Poesias Completas
Edições Caixotim
Entre as algas e os corais,
Ouvindo estranhos segredos
No coro dos vendavais,
Nas grandes conchas prateadas
Vão-se as pérolas coalhar,
Como as lágrimas choradas
Pela Aurora, sobre o Mar...
***
Assim no mar do meu peito
Que imensa angústia devora,
Se acaso aparece a aurora
Do teu olhar satisfeito,
Esse límpido fulgor
Faz coalhar no coração
Com as lágrimas do Amor
As pérolas da Paixão!...
António Feijó (O poeta que morreu de amor) - Poesias Completas
Edições Caixotim
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
Confiança
"O que é bonito neste mundo, e anima,
É ver que na vindima
De cada sonho
Fica a cepa a sonhar outra aventura...
E que a doçura
Que se não prova
Se transfigura
Numa doçura
Muito mais pura
E muito mais nova..."
Miguel Torga
Retirado de: http://eternapoesia.blogspot.com
É ver que na vindima
De cada sonho
Fica a cepa a sonhar outra aventura...
E que a doçura
Que se não prova
Se transfigura
Numa doçura
Muito mais pura
E muito mais nova..."
Miguel Torga
Retirado de: http://eternapoesia.blogspot.com
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
CONQUISTA
Livre não sou, que nem a própria vida
Mo consente.
Mas a minha aguerrida
Teimosia
É quebrar dia a dia
Um grilhão da corrente.
Livre não sou, mas quero a liberdade.
Trago-a dentro de mim como um destino.
E vão lá desdizer o sonho do menino
Que se afogou, e flutua
Entre nenúfares de serenidade
Depois de ter a lua!
Miguel Torga - Cântico do Homem
Coimbra
Mo consente.
Mas a minha aguerrida
Teimosia
É quebrar dia a dia
Um grilhão da corrente.
Livre não sou, mas quero a liberdade.
Trago-a dentro de mim como um destino.
E vão lá desdizer o sonho do menino
Que se afogou, e flutua
Entre nenúfares de serenidade
Depois de ter a lua!
Miguel Torga - Cântico do Homem
Coimbra
PRISÃO
Canta dentro de mim a confiança
Da grande multidão silenciosa
Que me rodeia.
Move-se uma epopeia
Na rasa solidão do meu destino.
Como um búzio anodino
Que na praia ressoa
A pancada da onda que magoa
As penedias,
Assim eu tenho melodias
Emparedadas
No coração.
Pudesse a concha, como um fruto cheio
De fecundas doçuras desejadas,
Abrir-se no areal de meio a meio
E libertar as notas abafadas!
Miguel Torga - Cântico do Homem
Coimbra
Da grande multidão silenciosa
Que me rodeia.
Move-se uma epopeia
Na rasa solidão do meu destino.
Como um búzio anodino
Que na praia ressoa
A pancada da onda que magoa
As penedias,
Assim eu tenho melodias
Emparedadas
No coração.
Pudesse a concha, como um fruto cheio
De fecundas doçuras desejadas,
Abrir-se no areal de meio a meio
E libertar as notas abafadas!
Miguel Torga - Cântico do Homem
Coimbra
domingo, 15 de fevereiro de 2009
Arma secreta
"Tenho uma arma secreta
ao serviço das nações.
Não tem carga nem espoleta
mas dispara em linha recta
mais longe que os foguetões.
Não é Júpiter, nem Thor,
nem Snark ou outros que tais.
É coisa muito melhor
que todo o vasto teor
dos Cabos Canaverais.
A potência destinada
às rotações da turbina
não vem da nafta queimada,
nem é de água oxigenada
nem de ergóis de furalina.
Erecta, na noite erguida,
em alerta permanente,
espera o sinal da partida.
Podia chamar-se VIDA.
Chama-se AMOR, simplesmente."
António Gedeão, Poesias Completas (1956-1967),
Lisboa, Portugália Editora, 1975, 5.ª ed.
Retirado de: http://pracadapoesia.blogspot.com
ao serviço das nações.
Não tem carga nem espoleta
mas dispara em linha recta
mais longe que os foguetões.
Não é Júpiter, nem Thor,
nem Snark ou outros que tais.
É coisa muito melhor
que todo o vasto teor
dos Cabos Canaverais.
A potência destinada
às rotações da turbina
não vem da nafta queimada,
nem é de água oxigenada
nem de ergóis de furalina.
Erecta, na noite erguida,
em alerta permanente,
espera o sinal da partida.
Podia chamar-se VIDA.
Chama-se AMOR, simplesmente."
António Gedeão, Poesias Completas (1956-1967),
Lisboa, Portugália Editora, 1975, 5.ª ed.
Retirado de: http://pracadapoesia.blogspot.com
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Vida tão estranha
"São de veludo as palavras
Daquele que finge que ama
Ao desengano levo a vida
A sorte a mim já não me chama
Vida tão só
Vida tão estranha
Meu coração tão mal tratado
Já nem chorar me traz consolo
Resta-me só o triste fado
A gente vive na mentira
Já nem dá conta do que sente
Antes sozinha toda a vida
Que ter um coração que mente"
Rodrigo Leão
Daquele que finge que ama
Ao desengano levo a vida
A sorte a mim já não me chama
Vida tão só
Vida tão estranha
Meu coração tão mal tratado
Já nem chorar me traz consolo
Resta-me só o triste fado
A gente vive na mentira
Já nem dá conta do que sente
Antes sozinha toda a vida
Que ter um coração que mente"
Rodrigo Leão
sábado, 7 de fevereiro de 2009
Urgência de ser
Urgência de ser,
num desejo infinito,
num querer sem limites...
Vazios contíguos
de espaços, sem memória,
sem compassos de espera,
desespero, escapatória...
Suporte de essência
em viela simplória
de nostálgia, estória,
numa presença ausente,
de indefinível esperança,
de incansável persistência...
num desejo infinito,
num querer sem limites...
Vazios contíguos
de espaços, sem memória,
sem compassos de espera,
desespero, escapatória...
Suporte de essência
em viela simplória
de nostálgia, estória,
numa presença ausente,
de indefinível esperança,
de incansável persistência...
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Ah, um Soneto...
"Meu coração é um almirante louco
que abandonou a profissão do mar
e que a vai relembrando pouco a pouco
em casa a passear, a passear...
No movimento (eu mesmo me desloco
nesta cadeira, só de o imaginar)
o mar abandonado fica em foco
nos músculos cansados de parar.
Há saudades nas pernas e nos braços.
Há saudades no cérebro por fora.
Há grandes raivas feitas de cansaços.
Mas — esta é boa! — era do coração
que eu falava... e onde diabo estou eu agora
com almirante em vez de sensação? ..."
Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa
que abandonou a profissão do mar
e que a vai relembrando pouco a pouco
em casa a passear, a passear...
No movimento (eu mesmo me desloco
nesta cadeira, só de o imaginar)
o mar abandonado fica em foco
nos músculos cansados de parar.
Há saudades nas pernas e nos braços.
Há saudades no cérebro por fora.
Há grandes raivas feitas de cansaços.
Mas — esta é boa! — era do coração
que eu falava... e onde diabo estou eu agora
com almirante em vez de sensação? ..."
Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa
sábado, 31 de janeiro de 2009
Saudade
"Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já…
Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida…
Saudade é sentir que existe o que não existe mais…
Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam…
Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.
E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.
O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido."
Pablo Neruda
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já…
Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida…
Saudade é sentir que existe o que não existe mais…
Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam…
Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.
E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.
O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido."
Pablo Neruda
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
Tempo oco
"Talvez amanhã a musa baloice nos diários
de bordo
e as águas embarquem na paisagem
das sílabas à vista.
Hoje foi um dia perverso: um abismo
de contratos falseados
como se a lei caísse na hora cega
de todos os compêndios.
Apetece morrer. Apetece rasgar
este evangelho segundo o tempo oco
e explodir no epicentro dos teus lábios
quentes... quentes... quentes...
incendiário timoneiro do sangue louco."
Alice Fergo, in Versos de Água,
Universitária Poesia
de bordo
e as águas embarquem na paisagem
das sílabas à vista.
Hoje foi um dia perverso: um abismo
de contratos falseados
como se a lei caísse na hora cega
de todos os compêndios.
Apetece morrer. Apetece rasgar
este evangelho segundo o tempo oco
e explodir no epicentro dos teus lábios
quentes... quentes... quentes...
incendiário timoneiro do sangue louco."
Alice Fergo, in Versos de Água,
Universitária Poesia
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
Soneto de Fidelidade
"De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure."
Vinicius de Moraes, "Antologia Poética",
Editora do Autor, Rio de Janeiro, 1960.
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure."
Vinicius de Moraes, "Antologia Poética",
Editora do Autor, Rio de Janeiro, 1960.
sábado, 10 de janeiro de 2009
No Coração, Talvez
"No coração, talvez, ou diga antes:
Uma ferida rasgada de navalha,
Por onde vai a vida, tão mal gasta.
Na total consciência nos retalha.
O desejar, o querer, o não bastar,
Enganada procura da razão
Que o acaso de sermos justifique,
Eis o que dói, talvez no coração."
José Saramago, in Os Poemas Possíveis
Uma ferida rasgada de navalha,
Por onde vai a vida, tão mal gasta.
Na total consciência nos retalha.
O desejar, o querer, o não bastar,
Enganada procura da razão
Que o acaso de sermos justifique,
Eis o que dói, talvez no coração."
José Saramago, in Os Poemas Possíveis
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
IDEAL
Onde moras? Onde moras?
Se adivinhasse onde moras,
- Em frente da tua porta,
Olhando a tua janela,
Veria passar as horas,
As minhas últimas horas.
Sem ti, a vida que importa?
A Vida, nem penso nela...
Veria passar as horas
As minhas últimas horas,
Em frente da tua porta,
Olhando a tua janela...
Onde moras? Onde moras?
É num castelo roqueiro?
Se é num castelo roqueiro,
Erguido na penedia,
Sobre o rochedo mais alto
À beira-mar sobranceiro,
Com a minha fantasia
Irei tomá-lo de assalto,
Esse castelo roqueiro
Erguido na penedia,
Sobre o rochedo mais alto,
À beira-mar sobranceiro...
Onde moras? Onde moras?
É nos abismos do mar?
Se é nos abismos do mar,
Sobre a múrmura corrente,
No teu leito de amaranto
Irei também descansar,
Ficando perpetuamente
Naquele perpétuo encanto
Do Rei Harald Horfagar...
No teu leito de amaranto
Irei também descansar,
Ficando perpetuamente
Naquele perpétuo encanto
Do Rei Harald Horfagar.
Onde moras? Onde moras?
É numa estrela, ilha de ouro?
Se é numa estrela, ilha de ouro,
- A vida-Láctea é uma ponte,
Subirei por ela ao céu...
Para alcançar o meu tesouro
Não há remoto horizonte,
Nem Sagitário ou Perseu...
Onde moras? Onde moras?
Se adivinhasse onde moras,
- Em frente da tua porta,
Olhando a tua janela,
Veria passar as horas,
Sem ti, a vida que importa?
A Vida, nem penso nela...
Veria passar as horas,
As minhas últimas horas,
Em frente da tua porta,
Olhando a tua janela,
Numa extasiada emoção.
Dize-me, pois, onde moras,
Se porventura não moras
Dentro do meu coração...
António Feijó - "O poeta que morreu de amor..."
Se adivinhasse onde moras,
- Em frente da tua porta,
Olhando a tua janela,
Veria passar as horas,
As minhas últimas horas.
Sem ti, a vida que importa?
A Vida, nem penso nela...
Veria passar as horas
As minhas últimas horas,
Em frente da tua porta,
Olhando a tua janela...
Onde moras? Onde moras?
É num castelo roqueiro?
Se é num castelo roqueiro,
Erguido na penedia,
Sobre o rochedo mais alto
À beira-mar sobranceiro,
Com a minha fantasia
Irei tomá-lo de assalto,
Esse castelo roqueiro
Erguido na penedia,
Sobre o rochedo mais alto,
À beira-mar sobranceiro...
Onde moras? Onde moras?
É nos abismos do mar?
Se é nos abismos do mar,
Sobre a múrmura corrente,
No teu leito de amaranto
Irei também descansar,
Ficando perpetuamente
Naquele perpétuo encanto
Do Rei Harald Horfagar...
No teu leito de amaranto
Irei também descansar,
Ficando perpetuamente
Naquele perpétuo encanto
Do Rei Harald Horfagar.
Onde moras? Onde moras?
É numa estrela, ilha de ouro?
Se é numa estrela, ilha de ouro,
- A vida-Láctea é uma ponte,
Subirei por ela ao céu...
Para alcançar o meu tesouro
Não há remoto horizonte,
Nem Sagitário ou Perseu...
Onde moras? Onde moras?
Se adivinhasse onde moras,
- Em frente da tua porta,
Olhando a tua janela,
Veria passar as horas,
Sem ti, a vida que importa?
A Vida, nem penso nela...
Veria passar as horas,
As minhas últimas horas,
Em frente da tua porta,
Olhando a tua janela,
Numa extasiada emoção.
Dize-me, pois, onde moras,
Se porventura não moras
Dentro do meu coração...
António Feijó - "O poeta que morreu de amor..."
OS OLHOS
Ó olhos, de onde Amor suas flechas
contra mim, cuja luz me espanta e cega,
ó olhos, onde Amor se esconde, e prega
as almas, e pregando-as, se retira!
Ó olhos, onde Amor amor inspira
e amor promete a todos e amor nega,
ó olhos onde Amor também se emprega
por quem tão bem se chora, e se suspira!
Ó olhos, cujo fogo a neve fria
acende, e queima; ó olhos poderosos
de dar à noite, luz, e vida à morte;
Olhos por quem mais claro nasce o dia,
por quem são os meus olhos tão ditosos,
que de chorar por vós me coube a sorte!
António Ferreira
séc. XVI
contra mim, cuja luz me espanta e cega,
ó olhos, onde Amor se esconde, e prega
as almas, e pregando-as, se retira!
Ó olhos, onde Amor amor inspira
e amor promete a todos e amor nega,
ó olhos onde Amor também se emprega
por quem tão bem se chora, e se suspira!
Ó olhos, cujo fogo a neve fria
acende, e queima; ó olhos poderosos
de dar à noite, luz, e vida à morte;
Olhos por quem mais claro nasce o dia,
por quem são os meus olhos tão ditosos,
que de chorar por vós me coube a sorte!
António Ferreira
séc. XVI
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
Não posso adiar o amor
"Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob as montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas
Não posso adiar este braço
que é uma arma de dois gumes amor e ódio
Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação
Não posso adiar o coração."
António Ramos Rosa
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob as montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas
Não posso adiar este braço
que é uma arma de dois gumes amor e ódio
Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação
Não posso adiar o coração."
António Ramos Rosa
domingo, 4 de janeiro de 2009
O amor que sinto
"O amor que sinto
é um labirinto.
Nele me perdi
com o coração
cheio de ter fome
do mundo e de ti
(sabes o teu nome),
sombra necessária
de um Sol que não vejo,
onde cabe o pária,
a Revolução
e a Reforma Agrária
sonho do Alentejo.
Só assim me pinto
neste Amor que sinto.
Amor que me fere,
chame-se mulher,
onda de veludo,
pátria mal-amada,
chame-se "amar nada"
chame-se "amar tudo".
E porque não minto
sou um labirinto."
José Gomes Ferreira
é um labirinto.
Nele me perdi
com o coração
cheio de ter fome
do mundo e de ti
(sabes o teu nome),
sombra necessária
de um Sol que não vejo,
onde cabe o pária,
a Revolução
e a Reforma Agrária
sonho do Alentejo.
Só assim me pinto
neste Amor que sinto.
Amor que me fere,
chame-se mulher,
onda de veludo,
pátria mal-amada,
chame-se "amar nada"
chame-se "amar tudo".
E porque não minto
sou um labirinto."
José Gomes Ferreira
sábado, 3 de janeiro de 2009
Chove!
"Chove...
Mas isso que importa!
se estou aqui abrigado nesta porta
a ouvir a chuva que cai do céu
uma melodia de silêncio
que ninguém mais ouve
senão eu?
Chove...
Mas é do destino
de quem ama
ouvir um violino
até na lama."
José Gomes Ferreira
Mas isso que importa!
se estou aqui abrigado nesta porta
a ouvir a chuva que cai do céu
uma melodia de silêncio
que ninguém mais ouve
senão eu?
Chove...
Mas é do destino
de quem ama
ouvir um violino
até na lama."
José Gomes Ferreira
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
Cantar
"Cantar de beira de rio:
Agua que bate na pedra,
pedra que não dá resposta.
Noite que vem por acaso,
trazendo nos lábios negros
o sonho de que se gosta.
Pensando no caminho
pensando o rosto da flor
que pode vir, mas não vem
Passam luas - muito longe,
estrelas - muito impossíveis,
nuvens sem nada, também.
Cantar de beira de rio:
o mundo coube nos olhos,
todo cheio, mas vazio.
A água subiu pelo campo,
mas o campo era tão triste...
Ai!
Cantar de beira de rio."
Cecília Meireles
Agua que bate na pedra,
pedra que não dá resposta.
Noite que vem por acaso,
trazendo nos lábios negros
o sonho de que se gosta.
Pensando no caminho
pensando o rosto da flor
que pode vir, mas não vem
Passam luas - muito longe,
estrelas - muito impossíveis,
nuvens sem nada, também.
Cantar de beira de rio:
o mundo coube nos olhos,
todo cheio, mas vazio.
A água subiu pelo campo,
mas o campo era tão triste...
Ai!
Cantar de beira de rio."
Cecília Meireles
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